A Justiça do Trabalho do Rio mandou o Zona Sul avisar os funcionários, até as 23h59 deste sábado (24), que o voto é livre e secreto. A juíza Cláudia de Abreu Lima Pisco proíbe comunicados políticos, com multa diária de R$ 500 mil.

A ação foi movida pelo Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, em liminar concedida na sexta-feira (23). A nova mensagem precisa ser afixada em locais de grande circulação de funcionários, pelos mesmos canais usados no comunicado original.

O que a empresa enviou aos funcionários

O comunicado que motivou a ação continha críticas ao cenário político e institucional brasileiro e um apelo por mudanças, enviado às vésperas do 2º turno das eleições presidenciais.

A decisão proíbe qualquer comunicação da empresa aos funcionários que indique, direta ou indiretamente, preferência eleitoral da companhia. Procurada pelo O Povo, a assessoria do Zona Sul disse que "não vai se pronunciar sobre o caso".

A rede terá de usar os mesmos canais do comunicado original para desmentir a mensagem anterior, segundo a decisão. Nenhuma declaração do sindicato autor da ação foi registrada nas fontes consultadas até a publicação.

O episódio não é isolado: o Brasil registrou uma média de 35 denúncias de assédio eleitoral por dia em outubro, segundo levantamento oficial.

O caso mostra que o assédio eleitoral no ambiente de trabalho não se limita a um único setor da economia, e que as multas aplicadas variam de centenas de milhares a dezenas de milhões de reais.

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O que acontece agora

Em setembro, a Justiça multou a Havan em R$ 35 milhões por assédio eleitoral.

Em outubro, uma fábrica de calçados de Minas Gerais foi proibida de fazer campanha entre funcionários por motivo semelhante.

No mesmo sábado (24), a Justiça proibiu também um sindicato de pescadores do Pará de fazer campanha entre associados. Caberá ao sindicato comunicar à Justiça se o Zona Sul cumpriu o prazo e enviou a nova mensagem antes do início da votação, neste domingo (25).