O 2º turno da eleição presidencial brasileira, neste domingo (25), é acompanhado de perto na Europa, onde parlamentares citam o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia como um dos principais pontos em jogo na relação entre os dois blocos.

O acordo está em aplicação provisória desde 1º de maio de 2026 e soma cerca de 700 milhões de pessoas nos dois blocos. Desde então, a exportação agrícola argentina ao bloco europeu já subiu.

A Justiça da União Europeia ainda julga um questionamento contra o texto. A corte rejeitou em 29 de setembro um pedido da Polônia para suspender o acordo. Uma decisão final sobre o mérito é esperada para 2027.

"O país ocupa uma posição fundamental para os interesses europeus", diz o eurodeputado português Hélder Sousa Silva (PPE), que cita a transição energética, a Amazônia e a cooperação multilateral como prioridades da relação com o Brasil.

Outros parlamentares europeus divergem no tom. A alemã Anna Cavazzini (Verdes) enfatiza democracia e política climática, e diz esperar diálogo construtivo com o vencedor, mas demonstra preocupação com eventual mudança de orientação.

Já Florian Ossner, da conservadora CSU alemã, defende mais pragmatismo, com relações guiadas por interesses nacionais. Maren Kaminski, do partido A Esquerda, cita preocupação com uma possível aproximação entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump.

Publicidade

A Alemanha tem atenção estratégica às terras raras brasileiras, recurso que ganhou peso geopolítico com a disputa comercial entre EUA e China.

A mesma disputa já empurrou o Mercosul para negociações com a China, o que reforça o interesse europeu em travar o acordo com o bloco sul-americano.

O que Lula e Flávio defendem para o Mercosul

Lula trata o Mercosul como "instrumento central de integração econômica" do Brasil, rejeitando reduzi-lo a uma área de livre comércio. O programa de Flávio Bolsonaro não cita o bloco.

Em entrevistas de fevereiro, Flávio defendeu negociação bilateral com os Estados Unidos e chamou o acordo com a União Europeia de "um passo importante", sem detalhar propostas para o Mercosul.

O que acontece agora

O acordo segue em aplicação provisória enquanto a Justiça europeia analisa o mérito do questionamento polonês, com decisão esperada para 2027. Até lá, o resultado da eleição brasileira deste domingo deve pesar na condução das negociações com a União Europeia.