Na fila do café ou no ponto de ônibus, o gesto se repete sem que ninguém pense muito nele: o polegar procura o bolsinho da calça jeans e fica ali, encaixado. O compartimento é pequeno demais para um celular e raramente guarda alguma coisa.
Para que o bolsinho foi criado?
O bolsinho nasceu em maio de 1873, quando o comerciante Levi Strauss e o alfaiate Jacob Davis patentearam, nos Estados Unidos, o reforço com rebites de cobre nos bolsos de calças de trabalho.
Mineiros, vaqueiros e ferroviários do Oeste americano usavam o espaço para guardar relógios de bolso, longe de pancadas e poeira. Por isso, ficou conhecido como "watch pocket".
Segundo Tracey Panek, historiadora e diretora dos arquivos da Levi Strauss & Co., o bolso-relógio aparece já na calça mais antiga preservada pela empresa, de 1879, criado para guardar o objeto mais valioso que um trabalhador comum carregava no século 19.
Por que é chamado de "quinto bolso"?
Em 1996, um comercial da Levi's batizou o compartimento de "quinto bolso", ignorado desde 1873. A cronologia, porém, desmente a propaganda: o bolsinho é o mais antigo dos cinco, não o mais recente.
Esse bolsinho não é o quinto bolso.
A frase é de Panek, em texto no blog da empresa. Depois da Primeira Guerra Mundial, os relógios de pulso substituíram os de bolso, e o compartimento perdeu a função original. Mesmo assim, seguiu costurado em praticamente todo jeans vendido no mundo.
O hábito de deixar o polegar ali pode ter explicação além da estética, segundo especialistas em comportamento não verbal. O ex-agente do FBI Joe Navarro descreve o gesto como exibição de confiança, mas alerta que nenhum gesto isolado define um estado emocional completo.
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Pesquisas do neurocientista Martin Grunwald, da Universidade de Leipzig, apontam que toques corporais inconscientes ajudam a regular emoções em situações de estresse — o que pode explicar por que a mão procura um apoio familiar, mesmo vazio.
O resultado, mais de 150 anos depois, é um bolsinho que sobrevive não pela utilidade original, mas por ter virado marcador visual do próprio jeans: outros usos improvisados para os bolsos da peça já viralizaram nas redes.
O caso se soma a outros hábitos cotidianos que a ciência vem explicando nos últimos anos, como o prazer de espremer cravos.































