O Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) informou que uma força-tarefa matou quatro pessoas neste sábado (19) ao atacar uma lancha em rota de narcotráfico no Caribe. É o segundo ataque em dias recentes, e a campanha já soma 234 mortos desde 2025.

Em nota, o SOUTHCOM disse que a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental "executou um ataque cinético letal contra uma lancha rápida que operava em rotas estabelecidas de narcotráfico no Caribe". Dez dias antes, uma operação semelhante já havia matado três pessoas na mesma região.

Segundo análise da CNN sobre operações de busca e resgate, as forças americanas já mataram pelo menos 234 pessoas e destruíram ao menos 80 embarcações. A campanha, batizada pelo governo Trump de combate ao narcotráfico marítimo, começou em setembro de 2025.

O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos já pediu que os Estados Unidos parem os ataques. Organizações de direitos humanos classificam as ações como possíveis execuções extrajudiciais, apontando falta de clareza nos critérios usados para escolher os alvos.

Em nota de outubro do ano passado, o órgão da ONU afirmou que as circunstâncias das mortes não encontram justificativa no direito internacional.

O que a ofensiva dos EUA muda para o Brasil?

Para o Brasil, a escalada da ofensiva dos EUA no Caribe reforça uma sensação de cerco. Especialistas já apontam que o país está cada vez mais rodeado pela aproximação militar americana com Paraguai, Equador e Bolívia, mesmo sem participar diretamente da operação.

"A gente tem que entender que esse combate ao narcotráfico não é uma ideia de imposição do governo Trump 2, é resultado dessa percepção da sociedade americana que quer esse combate ao narcotráfico", disse à CNN Brasil o professor Gunther Rudzit, da ESPM.

Na prática, o Brasil aparece na mira das cobranças dos EUA mesmo sem ter aderido à operação militar contra os cartéis. Uma fonte do Departamento de Defesa dos EUA afirmou, em março, que Washington espera mais ações de Brasil, Colômbia e Uruguai contra os cartéis.

O país ficou de fora da conferência sobre cartéis que o Comando Sul promoveu na Flórida no mesmo mês. O encontro reuniu militares de 17 países, o mesmo grupo com que os EUA tinham ativado uma força-tarefa militar no Hemisfério Ocidental em agosto passado.

Nas últimas semanas, o Brasil também passou a lidar com o avanço de drones dos EUA na América do Sul, tema que já rendeu preocupação com espionagem por parte do governo brasileiro.

O mesmo período viu os Estados Unidos incluírem o PCC e o Comando Vermelho numa lista antiterror que já soma 13 grupos criminosos da região.

O que acontece agora

O próximo capítulo da disputa deve passar pela agenda bilateral entre Brasília e Washington. Fontes do governo brasileiro afirmam que o tema segue em discussão, inclusive na preparação de um possível novo encontro entre Lula e Trump.