Os Emirados Árabes Unidos suspenderam nesta terça-feira (18) todo o comércio e as transações financeiras com o Irã, depois de acusar o país de disparar dois mísseis balísticos contra seu território. O petróleo Brent fechou o dia a US$ 91,02 o barril, reagindo ao enfraquecimento das chances de acordo entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o Ministério da Defesa dos Emirados, o primeiro míssil caiu fora das águas territoriais do país. O segundo caiu dentro delas.
Não há registro de mortos ou feridos até a publicação desta matéria.
A pasta ativou o sistema de defesa aérea e afirmou estar pronta para responder a qualquer ameaça à soberania do país. O Irã nega a autoria do ataque e chama a acusação dos Emirados de prejudicial à confiança regional.
O comércio entre os dois países está suspenso até novo aviso.
No mesmo dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não havia negociação em andamento nem prevista com Teerã. A declaração veio um dia depois de vencer o prazo de 60 dias fixado num memorando de entendimento assinado em 17 de junho.
Foi essa perspectiva de acordo mais distante, somada aos ataques no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho, que pressionou o Brent para cima no fechamento de terça-feira.
O episódio é o mais recente capítulo de uma guerra que começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irã.
Desde então, mais de 20% do petróleo e do gás natural que circulam pelo mundo passam por rotas parcialmente bloqueadas no Estreito de Ormuz.
O efeito no preço do combustível no Brasil
O Brasil produz petróleo, mas ainda importa cerca de 25% do diesel consumido no país, além de parcelas de gasolina e de gás de cozinha.
A política de preços da Petrobras acompanha a cotação internacional do barril e o câmbio, o que torna o repasse quase automático quando o Brent sobe lá fora.
Segundo analistas da XP, um aumento de 10% no preço do Brent gera cerca de 0,25 ponto percentual de impacto na inflação brasileira. Cada 1% de alta na gasolina soma 0,05 ponto percentual.
O que ainda pode pesar no bolso do brasileiro
O Brent segue longe do patamar que provocaria choque imediato na bomba, mas a escalada no Golfo Pérsico chega num ano de eleição, quando a pressão para conter a inflação tende a crescer.
Segurar reajustes abaixo do custo internacional já custou à Petrobras uma dívida de US$ 130 bilhões em 2015. A pergunta que fica é se a política de preços resiste à tentação de repetir a conta.


























