O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou bombardear Omã nesta segunda-feira (17) caso o país interfira nos esforços americanos para reabrir o Estreito de Ormuz. A fala veio horas depois de vencer, sem acordo, o prazo de dois meses que Washington havia dado ao Irã para negociar o fim da guerra no Golfo Pérsico.

"Se Omã atrapalhar, vamos bombardear aquele lugar até não sobrar nada", disse Trump, segundo reportagem da CNN Brasil sobre o encontro.

Não é a primeira vez que o americano mira o país do Golfo Pérsico com esse tom. Em maio, em reunião ministerial, ele já havia dito que Omã deveria "se comportar como todo mundo" ou enfrentaria ação militar.

É a segunda vez em três meses que o aliado histórico dos EUA na região vira alvo direto do presidente americano.

Trump também confirmou que mantém um canal informal de contato direto com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Disse não ter pressa para fechar acordo, mesmo com o prazo de negociação já expirado.

Conversas seguem, apesar da ameaça

Do outro lado do estreito, o Irã informou que as tratativas com Omã sobre o futuro de Ormuz continuam, descritas como "intrincadas", mas ainda em curso.

O contraste com o tom de Trump sugere que a escalada verbal, até agora, não interrompeu o canal diplomático entre os dois países vizinhos ao estreito.

Omã não respondeu publicamente à ameaça mais recente do presidente americano.

O Estreito de Ormuz está bloqueado pelas forças iranianas desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã.

Antes do conflito, a via era responsável por escoar cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito, ligando os produtores do Golfo Pérsico aos principais mercados consumidores da Ásia e da Europa.

Ainda em agosto, Trump chegou a dizer que pretende declarar o estreito "território dos Estados Unidos" assim que considerar o Irã derrotado no conflito. "Nenhum navio passa a menos que nós queiramos", afirmou, na ocasião.

Nos Estados Unidos, democratas classificam o conflito como uma "guerra de escolha" do governo Trump.

Segundo levantamento da imprensa americana, o preço médio da gasolina no país chegou a US$ 4,06 o galão na segunda-feira (17), alta de 36% desde o início da guerra.

A escalada já tem custo mensurável para o consumidor americano, mesmo antes de qualquer ação contra Omã.

O impasse em Ormuz também já chegou ao noticiário brasileiro. O governo brasileiro já colocou a Margem Equatorial como alternativa de fornecimento global de petróleo caso o bloqueio do estreito se agrave.

O ponto em aberto

É a segunda ameaça de Trump contra Omã em três meses, e nenhuma delas resultou, até agora, em ação militar concreta.

O Irã mantém as conversas em curso do outro lado do estreito. Isso deixa em aberto se a fala mais recente é um novo patamar de pressão ou repete o padrão de ameaças anteriores, sem desdobramento prático.