Bancários de todo o país cumprem nesta quinta-feira (20) uma paralisação nacional de 24 horas, após rejeitarem por 97,66% a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na Campanha Salarial de 2026. A categoria pede reposição da inflação mais 5% de ganho real; os bancos ainda não apresentaram um índice de reajuste.

A assembleia que aprovou a paralisação aconteceu na segunda-feira (17), com a participação de mais de 50 mil bancários e bancárias em sindicatos de todo o país. Na mesma votação, 89,34% confirmaram a adesão à greve de 24 horas.

A proposta rejeitada previa dividir o reajuste salarial em três faixas diferentes, conforme a remuneração de cada funcionário, além de congelar o piso de ingresso na carreira. Os sindicatos consideram as duas medidas uma forma de quebrar a unidade da categoria.

A pauta da categoria também cobra reajuste da participação nos lucros e resultados (PLR) e dos vales-refeição e alimentação, que compõem parte relevante da remuneração total dos bancários.

Sob pressão da mobilização, a Fenaban recuou em parte na oitava rodada de negociação, na terça-feira (18), em São Paulo. Retirou da mesa o reajuste escalonado por faixas e o congelamento do piso.

Mas não apresentou nenhum índice de reajuste salarial. A próxima rodada de negociação ficou marcada só para a semana seguinte.

O que fica de fora do alcance da greve

A paralisação não fecha automaticamente todas as agências. A adesão varia por banco e por unidade, de acordo com a decisão dos próprios funcionários.

Serviços digitais como Pix, transferências e consulta de saldo continuam funcionando normalmente pelo aplicativo e pela internet, assim como saques e depósitos em caixas eletrônicos.

Um histórico de greves longas

A categoria bancária tem histórico de paralisações longas. Em 2016, a greve nacional durou 31 dias e chegou a afetar mais de 55% das agências do país, a maior mobilização do setor desde 2004, segundo a Contraf-CUT.

Desta vez, a categoria marcou apenas 24 horas de paralisação, mas mantém a mobilização até a Fenaban apresentar um índice de reajuste.

O que falta para a mesa fechar acordo

Os bancos já recuaram nos dois pontos mais contestados pela categoria, mas ainda não colocaram um número na mesa. Enquanto o índice de reajuste não aparece, a paralisação de 24 horas pode ser só a primeira etapa de uma mobilização mais longa.