A subsecretária de Estado dos Estados Unidos para Diplomacia Pública, Sarah B. Rogers, acusou o Brasil de impor "censura" depois que o X mudou seu algoritmo para cumprir uma resolução do TSE sobre as eleições de 2026. A declaração foi publicada no domingo (16), na própria rede social.
Segundo Rogers, "esse tipo de transparência algorítmica é exatamente o que muitos reguladores afirmam querer. Ela também marca a censura imposta pelo Brasil".
Rogers assumiu o posto em outubro de 2025, após atuar como advogada e ativista de liberdade de expressão nos Estados Unidos.
A mudança se chama "Brazil2026ElectionFilter" e foi ativada pelo X na sexta-feira (14). O filtro impede que publicações de perfis oficiais de candidatos sejam recomendadas a usuários que não os seguem, na aba "Para Você".
A medida cumpre a Resolução nº 23.610/2019 do TSE, que obriga as plataformas a excluir candidatos dos sistemas de recomendação, salvo quando há impulsionamento pago.
O que o X e o Brasil dizem
O X rejeitou a leitura de Rogers. Segundo a plataforma, "não é sanção nem mudança das regras do X" e a medida estabelece "um novo padrão de transparência" sobre os algoritmos.
Nem o TSE nem o Itamaraty haviam se pronunciado publicamente sobre a declaração da subsecretária até a publicação desta matéria.
Não é a primeira vez que o X entra em rota de colisão com regras eleitorais brasileiras. Em 2024, a plataforma ficou suspensa no país por 39 dias, depois de descumprir ordens judiciais do STF.
A crítica de Rogers ocorre em meio a um período de atrito entre os governos Trump e Lula, que inclui tarifas comerciais e acusações americanas anteriores de interferência eleitoral do Brasil.
A TV Sim Brasil já mostrou como o X passou a limitar a recomendação de candidatos para cumprir a regra do TSE.
O que ainda falta nessa disputa diplomática
Até a publicação desta matéria, a acusação de Rogers seguia sem resposta pública dos dois lados.
TSE e Itamaraty não confirmaram nem contestaram a fala. O X mantém que cumpre decisão da Justiça eleitoral brasileira, não uma ordem do governo — versões que seguem sem confronto direto entre os dois países.


























