Jornalistas estrangeiros que pedem visto para trabalhar nos Estados Unidos passam a ser obrigados, a partir desta quinta-feira (1º), a manter os perfis nas redes sociais abertos ao público. A regra vale para as categorias de visto I, TN e TD.
A regra foi anunciada pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Segundo o comunicado do Departamento de Estado, o objetivo é simplificar a verificação de identidade dos candidatos e reforçar a segurança nacional.
O texto afirma que a concessão de qualquer visto é tratada como uma decisão de segurança nacional. O visto, diz o comunicado, é um privilégio concedido a critério do governo, não um direito.
A categoria I é destinada a representantes da mídia estrangeira, como jornalistas e correspondentes. A TN cobre profissionais abrangidos pelo USMCA, o tratado comercial entre Estados Unidos, México e Canadá.
Já a TD é reservada aos dependentes de quem tem visto TN, como cônjuges e filhos.
Quem precisa manter o perfil público?
Precisam manter o perfil aberto os candidatos aos vistos I, TN e TD. Outras categorias de visto de não imigrante, como estudante, trabalhador temporário e intercâmbio, já passavam por checagem semelhante antes desta mudança.
A exigência de redes sociais para visto não é nova. Desde 31 de maio de 2019, no primeiro mandato de Donald Trump, o Departamento de Estado já pedia a quase todos os candidatos os nomes de usuário usados nos cinco anos anteriores.
A medida foi batizada de antiterrorista e chegou a ser estimada em 15 milhões de pessoas por ano.
A regra de agora muda o grau de exposição exigido. Antes bastava informar os perfis, ainda que fechados; a partir desta quinta, eles têm de ficar públicos.
A exigência chega ainda dois meses depois de outra mudança no mesmo visto de imprensa. Em julho, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos publicou regra que encerra o sistema de permanência em vigor desde 1985 para o visto I.
A nova norma limita a estadia a 240 dias, com prazo menor, de 90 dias, para jornalistas chineses. Em 2024, o governo americano concedeu 37,3 mil vistos de imprensa, segundo o Committee to Protect Journalists (CPJ).
Para o CPJ, organização que defende a liberdade de imprensa no mundo, a mudança de julho repete um padrão do governo Trump de restringir o acesso da imprensa estrangeira ao país.
O governo voltou a negar acesso com base na fiscalização individual da cobertura de um jornalista.
A frase é de José Zamora, diretor regional do CPJ para as Américas, em nota publicada pela organização em julho. O mesmo padrão levou, em setembro, à expulsão de repórteres da CNN e do Politico da Casa Branca.
O visto também já foi usado como instrumento de pressão fora da imprensa. Em agosto, os Estados Unidos revogaram o visto da então embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.






























