O governo dos Estados Unidos destinou US$ 1 milhão a um projeto que financia organizações que contestam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o The Guardian. É a segunda vez em 2026 que um órgão americano mira a Corte.
O projeto se chama "Combating Weaponized Litigation and Censorship in Brazil" e integra uma redistribuição de recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF), administrado pelo Departamento de Estado.
Segundo o Guardian, o pacote reúne 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões, destinadas a projetos ligados a pautas conservadoras em diferentes países.
Não é a primeira vez. Em abril, um relatório de um comitê de parlamentares dos EUA aliados a Donald Trump já havia acusado o ministro Alexandre de Moraes de censura, ao determinar a suspensão de perfis de brasileiros nos EUA.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, classificou o relatório de abril como portador de "caracterizações distorcidas".
Em nota, ele defendeu que "a ordem instituída pela Constituição Federal de 1988, como interpretada pelo STF, eleva a liberdade de expressão à condição de direito preferencial".
O financiamento atual já havia sido sinalizado em junho. O Departamento de Estado abriu uma chamada pública de até US$ 986.679 para um projeto batizado "Countering Censorship and Judicial Overreach in Brazil", com duração de 18 a 24 meses.
O caso se soma a outras denúncias de interferência americana na eleição. O governo brasileiro afirma monitorar quatro frentes de possível ajuda dos EUA, todas lidas como favoráveis a Flávio Bolsonaro.
O PT, por sua vez, pediu ao STF que investigue uma possível ajuda dos Estados Unidos à campanha de Flávio Bolsonaro, em pedido protocolado em 23 de setembro.
Outro fundo americano também está sob suspeita. A Rockbridge Network, do vice-presidente JD Vance, cobra até US$ 1 milhão de aliados no Brasil, em programa distinto do citado pelo Guardian.
Os dois episódios de 2026 mostram que a pressão americana sobre o STF não é um caso isolado, mas um padrão que se repete em formatos diferentes ao longo do ano.
O Departamento de Estado não comentou a concessão especificamente. Ao Guardian, a pasta disse que os programas permaneciam sob análise e que os beneficiários deveriam cumprir regras federais para receber os recursos.
O ponto em aberto
É a segunda vez em 2026 que um órgão dos Estados Unidos mira o STF diretamente. O Departamento de Estado não informou se outros projetos do mesmo fundo também citam o Brasil, nem por quanto tempo o financiamento de US$ 1 milhão deve durar.






























