A Advocacia-Geral da União pediu nesta quinta-feira (1º) que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investiguem suposto financiamento do governo de Donald Trump à extrema direita no Brasil. O pedido cita repasse de US$ 1 milhão revelado pelo The Guardian.

A denúncia vira pedido formal de investigação federal, a dias da eleição.

A notícia-crime foi apresentada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, da AGU, a três dias do 1º turno das eleições. Tem assinatura do advogado-geral Jorge Messias, e foi enviada ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral, Paulo Gonet.

Segundo o Guardian, em reportagem publicada em 30 de setembro, o Departamento de Estado americano destinou US$ 1 milhão ao projeto "Countering Lawfare and Censorship in Brazil", batizado em português como "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil".

O projeto brasileiro, segundo o jornal, financiaria organizações da sociedade civil que contestam decisões do STF e criticam o que chamam de censura judicial no país. A iniciativa foi batizada oficialmente pelo Departamento de Estado americano.

A verba integra um fundo de US$ 176,9 milhões distribuído a 43 iniciativas pelo mundo, voltado a pautas como combate ao comunismo, restrição à imigração e oposição à chamada "ideologia de gênero", segundo o jornal.

A AGU classifica o caso como grave diante do processo eleitoral em curso. O órgão cita os princípios constitucionais de soberania e a lei que proíbe financiamento externo de partidos políticos como base do pedido.

O que a Abin já tinha identificado?

A Abin, a agência de inteligência brasileira, classificou como "crítico" o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026 em relatório reservado enviado à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça no fim de agosto.

O órgão aponta uma "tendência de escalada de pressão sobre o Brasil" e cita o secretário de Estado Marco Rubio como figura central dessa estratégia. A mesma agência já havia confirmado interferência dos EUA e da Rússia na eleição, em relatório de 30 de setembro.

Procurado anteriormente sobre acusações semelhantes, o governo americano já havia negado interferência na eleição brasileira, segundo nossa cobertura de 24 de setembro.

Não é a primeira vez que financiamento ligado a Trump entra na mira da Justiça brasileira. Em setembro, o PT pediu ao STF que investigasse dinheiro trumpista na campanha de Flávio Bolsonaro.

O que acontece agora

Cabe agora à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República decidir se abrem inquérito a partir da notícia-crime da AGU. Não há prazo legal definido para essa decisão, que marca o primeiro passo formal do caso na esfera criminal.