O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta quinta-feira (1º) que não há prazo definido para o envio de um novo rascunho de acordo tarifário ao Brasil, um dia após se reunir com o ministro brasileiro Márcio Elias Rosa para discutir as tarifas.
O encontro, que teve também o chanceler Mauro Vieira, ocorreu em Milwaukee (EUA), na reunião ministerial de Comércio do G20. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Greer disse que os EUA já "entregaram muitos rascunhos de diferentes ações que poderiam ser feitas".
"Um novo rascunho não é exatamente algo a ser feito. É algo que já fizemos muitas vezes no passado", completou o representante americano.
Greer também declarou que o fato de o Brasil estar em período eleitoral pode "limitar a flexibilidade dos governos" para avançar nas tratativas.
O que o governo brasileiro espera do próximo passo?
O ministério brasileiro espera um novo documento em 3 a 4 semanas, provavelmente só depois do 2º turno das eleições. Ao UOL, Rosa disse ter entendido que esse seria o prazo repassado pela equipe americana.
A fala de Greer confirma a avaliação da equipe brasileira de que os EUA prefeririam tratar do assunto só depois do pleito. Questionado se temas como o Pix e o desmatamento ficariam fora da negociação, Greer não respondeu diretamente.
"O que posso dizer é que tivemos uma reunião construtiva. Concordamos em continuar trabalhando nesta questão em todos esses diferentes tópicos que investigamos", disse.
O Palácio do Planalto queria avançar numa lista de exceções antes de discutir a reversão total da sobretaxa combinada de 37,5% sobre produtos brasileiros.
O que acontece agora
As tratativas haviam sido retomadas em 31 de agosto, quando Rosa e Greer conversaram por videoconferência, num encontro que o lado brasileiro classificou como exploratório.
A sobretaxa de 37,5% soma uma tarifa de 25% anunciada pelos EUA em 15 de julho, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana de 1974, a uma tarifa anterior.
O impacto já apareceu nos números: a tarifa já havia atingido US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras em julho, incluindo produtos de Minas Gerais.
Um ministro brasileiro chegou a afirmar que a nova tarifa poderia afetar 18% de tudo que o Brasil exporta. Setores como o de uva para exportação já sentem o efeito no caixa.































