A 1ª Turma do STF formou maioria nesta terça-feira (18) para tornar réus o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar e o desembargador Macário Ramos Júdice Neto. Segundo a PGR, Macário Júdice vazou a Bacellar informações sigilosas da Operação Zargun, contra o Comando Vermelho. Falta apenas o voto do ministro Flávio Dino.
O relator, ministro Alexandre de Moraes, votou pelo recebimento da denúncia. Os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin acompanharam o voto, 3 a 0. O julgamento corre no plenário virtual, com prazo até sexta-feira (21).
Bacellar, do União Brasil, presidiu a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro desde 2023 e chegou a exercer interinamente o cargo de governador do estado.
O que diz a acusação da PGR
A Operação Zargun mirou o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como "TH Joias", preso em setembro de 2025 sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo a PGR, o desembargador Macário Júdice repassou a Bacellar informações sigilosas sobre a operação, o que teria configurado obstrução de Justiça.
Bacellar foi preso em 3 de dezembro de 2025 pela Polícia Federal, na Operação Unha e Carne, com mandado expedido pelo próprio Moraes.
Ficou cinco dias preso. Foi solto depois que a própria Alerj revogou o afastamento que havia determinado.
A Operação Zargun apurava a suspeita de que TH Joias intermediava a compra e venda de armas para o Comando Vermelho. Foi essa investigação que, segundo a PGR, Macário Júdice vazou para Bacellar.
Moraes ainda impôs a Bacellar tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar, proibição de contato com outros investigados, suspensão do porte de arma e entrega do passaporte. Ele segue afastado da presidência da Alerj, hoje ocupada pelo deputado Guilherme Delaroli (PL).
Em nota, a defesa de Bacellar disse que a acusação da PGR "está baseada em ilações e narrativas repetidamente refutadas".
Com a maioria formada na 1ª Turma, Bacellar e Macário Júdice devem virar réus no processo. Nenhum dos dois foi condenado até agora, e a votação segue aberta até sexta-feira.


























