O bitcoin fechou 2025 perto de US$ 88,4 mil e chegou a US$ 60,1 mil no fim de junho, queda de cerca de 32% no ano. Mesmo com a queda, investidores brasileiros compraram mais de cinco vezes o que venderam nos episódios mais intensos, segundo exchanges como Mercado Bitcoin e Nomad.

Nesta quarta-feira (19), o bitcoin está cotado a US$ 65.023, em recuperação da faixa baixa dos US$ 60 mil registrada no início de agosto. A capitalização de mercado da moeda soma US$ 1,3 trilhão.

Os cinco fatores por trás da queda

Fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin nos Estados Unidos vêm registrando saídas bilionárias. Só numa quinta-feira, a retirada líquida somou quase US$ 700 milhões, segundo a SoSoValue.

Investidores também venderam ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial, questionando se os investimentos bilionários no setor já justificam as altas avaliações, movimento que pressiona ativos de risco como o bitcoin.

Nos Estados Unidos, o núcleo do índice de preços PCE subiu a 4,1% na comparação anual, o maior nível em três anos, elevando para cerca de 80% a chance precificada pelo mercado de alta de juros em dezembro.

A empresa Strategy, uma das maiores compradoras corporativas de bitcoin do mundo, acumula perdas não realizadas de US$ 10,6 bilhões em moedas adquiridas entre 2024 e 2026, o que pode reduzir suas compras futuras.

No mesmo período, US$ 10,6 bilhões em opções de bitcoin venceram numa sexta-feira, ampliando a volatilidade do mercado.

O brasileiro comprou mais na baixa

Só nas primeiras semanas de junho, as exchanges brasileiras já haviam negociado R$ 2,16 bilhões em bitcoin. Entre 2024 e 2025, o número de investidores de até 24 anos cresceu 56%, e o de investidores de alta renda subiu 11%.

"Parte relevante da base já enxerga esses momentos menos como risco imediato e mais como oportunidade dentro de ciclos mais longos", disse Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin.

Luca Girardi, analista da Nomad, pondera. "Embora a tese de que o Bitcoin possa se tornar um ativo de reserva no futuro seja defendida por alguns analistas, ele ainda continua se comportando como um ativo de risco", disse.

O que ainda não dá para saber

Nenhum dos dois analistas cravou se a recuperação para US$ 65 mil marca uma virada de ciclo ou é só um respiro dentro de um ano de perdas.

Os cinco fatores que derrubaram o bitcoin, como juros e o apetite por ações de IA, seguem em aberto.