A Merck e a Moderna anunciaram nesta quarta-feira (19) os resultados de fase 3 de uma vacina de mRNA contra o melanoma, o tipo mais letal de câncer de pele. Combinada ao Keytruda, a terapia intismeran reduziu em 49% o risco de o câncer voltar ou causar morte, em estudo com 1.137 pacientes de alto risco.
O estudo, batizado de INTERPATH-001, acompanhou pacientes com melanoma em estágios IIB a IV que ainda não haviam recebido tratamento sistêmico antes da cirurgia.
A vacina é personalizada. A partir de uma amostra do tumor removido na cirurgia, os pesquisadores identificam até 34 alvos tumorais específicos por paciente e produzem uma molécula de mRNA sob medida, que ensina o sistema imunológico a reconhecer aquelas mutações.
Os dados de 49% de redução de risco já haviam aparecido de forma preliminar em janeiro, numa análise intermediária do mesmo estudo. Os resultados desta quarta confirmam o número na etapa final da pesquisa, a fase 3.
É diferente de uma vacina tradicional, feita para prevenir infecção. Aqui, o objetivo é reduzir a chance de o tumor voltar depois que ele já foi removido.
O estudo atingiu os dois objetivos principais. Reduziu a recorrência do câncer e reduziu a disseminação da doença para outras partes do corpo. Segundo as empresas, nenhuma nova preocupação de segurança foi identificada, e os efeitos observados foram semelhantes aos já conhecidos dos dois medicamentos.
"É a primeira vez que uma terapia contra o câncer baseada em mRNA apresenta resultados positivos em um estudo de fase 3", disse Georgina Long, pesquisadora-chefe do estudo.
Long também classificou o resultado como um marco. Segundo ela, "os resultados representam um marco para o tratamento adjuvante do melanoma".
Quando a vacina pode chegar ao mercado
Merck e Moderna ainda vão apresentar os dados completos em um congresso médico e submetê-los às autoridades regulatórias para avaliação. Não há data confirmada para a terapia chegar ao mercado.
Outros cânceres na mira da mesma tecnologia
A mesma plataforma de mRNA personalizado também está sendo testada contra câncer de pulmão, de bexiga e de rim, ainda em fases anteriores de pesquisa.


























