O Botafogo demitiu o técnico português Franclim Carvalho na noite de terça-feira (18), depois da goleada por 6 a 1 para o Cienciano, em Cusco, pelas oitavas da Copa Sul-Americana, seguida da derrota por 1 a 0 para o Vitória, no Barradão, pelo Brasileirão.

Em quatro meses no cargo, Franclim somou 22 partidas, com 10 vitórias, 7 empates e 5 derrotas.

A diretoria considerou a goleada em Cusco injustificável, mesmo com a altitude de 3.400 metros levada em conta pelo clube.

Rodrigo Bellão, técnico do time sub-20, assume interinamente o time principal. Ele estreia nesta quinta-feira (20), contra o próprio Cienciano, no jogo de volta, no Nilton Santos.

Para avançar à próxima fase da Sul-Americana, o Botafogo agora precisa reverter uma diferença de cinco gols diante do próprio Cienciano.

O clube também reformulou a comissão técnica. Paulo Bonamigo volta como coordenador técnico, cargo que já ocupou em 2004.

Ronaldo Torres assume a preparação física. Ele integrou a comissão campeã brasileira de 1995. Marcelo Salles, o "Fera", passa a auxiliar técnico permanente.

A saída de Franclim já vinha sendo cobrada nas ruas.

O Botafogo foi alvo de protesto na madrugada de segunda-feira (17), ao desembarcar no Rio. Integrantes da torcida organizada Fúria Jovem aguardaram a chegada da delegação para cobrar jogadores e comissão técnica.

Nas redes sociais, a maioria dos torcedores comemorou a demissão do técnico.

A mudança de comando técnico ocorre no mesmo momento em que o investidor Gabriel de Alba, fundador do fundo GDA Luma, desembarcou no Rio, em 18 de agosto.

A compra da SAF do Botafogo por ele ainda não foi concluída, mas De Alba já participa das discussões sobre o futebol do clube e deve acompanhar a próxima partida no estádio.

O processo que culminou na demissão envolveu o diretor de futebol Léo Coelho, o CEO Eduardo Iglesias e o presidente João Paulo Magalhães Lins, além do próprio investidor.

O que a troca de comando sinaliza

A demissão não é só sobre resultado em campo. Ela chega junto com a entrada de um investidor que ainda nem fechou a compra da SAF e já participa de decisões de futebol.

É sinal de que o Botafogo trata a crise técnica e a transição de comando como uma coisa só.