Os principais índices de Wall Street abriram em queda nesta terça-feira (15/9), depois de o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos atingir 5,008%, a maior marca desde abril de 2007. O Dow Jones caiu 307 pontos, para 52.113 pontos, e o S&P 500 recuou 0,15%, para 7.608 pontos.
O Nasdaq, de empresas de tecnologia, teve queda menor, de 0,14%, e fechou aos 26.149 pontos. O título de 10 anos é a referência usada nos Estados Unidos para calcular empréstimos e financiamentos imobiliários de taxa fixa, e por isso seu movimento repercute direto no crédito ao consumidor americano.
A alta dos juros longos tem uma causa concreta. O conflito no Oriente Médio e a disparada do petróleo pressionam o mercado de títulos americanos há meses, com os investidores exigindo retorno maior para comprar a dívida do país.
O resultado é que o juro do título de 10 anos chegou ao nível mais alto desde os meses que antecederam a Grande Recessão de 2008.
O que muda no bolso do brasileiro?
O momento pesa também sobre o Brasil. O Comitê de Política Monetária (Copom) decide a taxa Selic nesta quarta-feira (16/9), com o mercado projetando corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano — na direção oposta à dos juros longos americanos.
Juro externo mais alto tende a encarecer o dólar e a puxar capital de volta para os Estados Unidos. Isso pode limitar o espaço do Banco Central brasileiro para novos cortes depois desta semana.
A previsão do mercado para a inflação brasileira no fim de 2026 está em 4,9%, e a projeção de crescimento do PIB foi revisada de 1,93% para 1,89% na última semana, segundo boletins do mercado financeiro.
O que acontece agora
A decisão do Copom sai na noite de quarta-feira (16/9), acompanhada de comunicado sobre inflação e atividade econômica. Horas antes, o Federal Reserve também se reúne para decidir sua própria taxa de juros, hoje entre 3,75% e 4% ao ano.
Analistas apontam que a inflação futura, o cenário fiscal americano e o petróleo em alta estreitam o espaço para novos cortes, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Esse é o mesmo pano de fundo que já havia derrubado a Bolsa brasileira e pressionado o dólar na véspera, segunda-feira (14/9), e que vinha sendo citado como pano de fundo para a expectativa de corte na Selic desta semana.


























