A gestora de investimentos Apex Partners, de Vitória (ES), formalizou nesta semana o pedido de recuperação judicial, com uma dívida estimada em R$ 985,6 milhões. O caso está na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória.
A dívida, com base em 30 de junho, soma R$ 452,1 milhões em debêntures via Rhino Securitizadora, R$ 309,8 milhões em resgates a clientes e R$ 35,2 milhões em tributos. As obrigações de resgate envolvem cerca de 1.600 posições de clientes.
A crise veio à tona em agosto, quando uma investigação interna apontou "inconsistências financeiras" na gestora. O fundador Fernando Antonio Kulnig Cinelli e o diretor financeiro Eduardo Siqueira foram afastados dos cargos, e Marcelo Murad assumiu a presidência interina.
O caso ganhou repercussão nacional por causa de um detalhe: a Apex chegou a deter 14% do capital da CVC Corp, maior operadora de turismo do país, comprados com recursos próprios e de um fundo captado de clientes.
Para tentar levantar caixa em meio à crise, fundos ligados à gestora venderam cerca de 17 milhões de ações da CVC. A participação de veículos ligados à Apex na empresa de turismo caiu de aproximadamente 15% para 11%.
Antes do pedido formal de recuperação judicial, a Apex já havia obtido na Justiça uma medida cautelar que suspendia temporariamente a cobrança das dívidas, para negociar um plano com os credores.
O aumento de pedidos de recuperação judicial não é exclusividade da Apex: o setor de agronegócio já havia registrado alta de 66% nos pedidos do tipo no país este ano, à frente do varejo.
O que acontece agora
A Justiça de Vitória ainda decide se aceita o pedido. Só depois a Apex apresenta um plano de pagamento aos credores, a ser aprovado em assembleia. A Light, por exemplo, saiu de uma recuperação judicial neste ano com a dívida reduzida à metade.


























