A jornalista filipino-americana Maria Ressa, ganhadora do Nobel da Paz de 2021, afirmou nesta terça-feira (15/9) que a inteligência artificial pode reduzir a autonomia da humanidade caso leis para limitar seu avanço não sejam aprovadas agora. Ressa atua como copresidente do painel científico internacional da ONU sobre IA.
Ela defende que cidadãos pressionem políticos e autoridades a aprovar regras que regulamentem o uso da tecnologia, em vez de esperar que o próprio setor se autorregule.
A declaração se soma a um coro que cresceu ao longo de 2026. Ganhadores do Prêmio Nobel e outros 200 especialistas já haviam pedido ação sobre o impacto econômico e os riscos da IA.
Um relatório assinado por 40 cientistas atestou em julho a urgência de regular a tecnologia diante da rapidez de sua evolução.
Quem mais está pedindo regras para a IA?
O apoio à regulação atravessa o espectro político nos Estados Unidos. Do lado da esquerda, o senador Bernie Sanders defende limites ao avanço da tecnologia; do lado da direita, o estrategista Steve Bannon assumiu posição semelhante, num raro ponto de convergência entre os dois campos.
Ao mesmo tempo, as próprias empresas do setor articulam uma resposta diferente. A Anthropic defende um botão de desligamento obrigatório para sistemas de IA, enquanto OpenAI e Google DeepMind discutem um órgão conjunto para supervisionar riscos da tecnologia.
Governos também disputam o tema fora dos Estados Unidos. Nesta semana, a China propôs ao Brics uma zona de IA aberta voltada ao Sul Global, caminho distinto do modelo americano.
O que a TV Sim observa
O pedido de Ressa chega em meio a sinais de que o próprio mercado já precifica algum risco na corrida da IA. As ações do setor caíram recentemente após alertas de desaceleração no ritmo de investimento.
Falta saber se esse temor financeiro vai apressar a regulação que cientistas e Nobel pedem, ou se vai apenas frear os investimentos sem mudar as regras do jogo entre governos e as próprias empresas de tecnologia.


























