O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu neste domingo (13) que a Ucrânia pare de atacar refinarias de petróleo na Rússia. Em viagem à Irlanda, Trump disse que os ataques provocam escassez de diesel nos mercados globais e que o problema não vem do conflito no Oriente Médio, como se dizia.
Segundo a agência argentina Infobae, Trump afirmou que a Ucrânia precisa parar de atacar o combustível diesel na Rússia, porque isso está prejudicando o mundo. Ele sugeriu que Kiev direcione sua capacidade ofensiva a outros alvos, fora da infraestrutura de combustível.
Horas depois da fala de Trump, o serviço de inteligência militar ucraniano (GUR) confirmou ataque à refinaria Slaviansk-ECO, na região russa de Krasnodar, atingindo uma unidade de processamento de petróleo. A Ucrânia trata as refinarias como alvos militares legítimos. A estratégia mira cortar um dos principais motores financeiros da guerra russa, a exportação de derivados de petróleo.
O preço médio do diesel nos Estados Unidos superou US$ 6 por galão pela primeira vez na quinta-feira anterior, segundo o rastreador de preços GasBuddy, o que mostra o efeito internacional dos ataques às refinarias russas.
O que muda para o Brasil
O Brasil sente esse tipo de choque porque precisa importar entre 25% e 30% do diesel que consome todo mês, já que a capacidade de refino do país não cobre sozinha a demanda interna, sobretudo na safra.
Em março, a Abicom, associação que representa os importadores de combustíveis, registrou defasagem média de 58% entre o preço do diesel no Brasil e a cotação internacional, chegando a 64% nas refinarias da Petrobras. Em abril, a defasagem da estatal estava em 31%.
A defasagem alta torna a importação inviável para as empresas privadas, e é isso que abre risco de desabastecimento justamente quando o campo mais precisa de combustível.
O choque não é inédito neste mês. Um ataque a um oleoduto saudita já havia custado R$ 37,5 bilhões ao Brasil em gastos extras com importação de petróleo e derivados, segundo levantamento do setor. Cada novo episódio de instabilidade tende a somar a essa conta.
É a segunda frente de pressão sobre o mercado de combustíveis neste mesmo domingo. Horas antes, os houthis fecharam o cerco ao Bab el-Mandeb e levaram o petróleo Brent a US$ 109,97. Zelensky já havia proposto uma trégua à Rússia para proteger grãos e energia, sem sucesso até agora.
No Brasil, a Petrobras já recuou de um reajuste da gasolina em menos de quatro horas neste mês, episódio que mostra como a volatilidade internacional do petróleo pressiona os preços internos.


























