Um voo da flydubai que ia de Dubai a Tel Aviv fez pouso de emergência na Arábia Saudita nesta quarta (30), depois que um piloto teria esfaqueado o outro em pleno ar, segundo autoridades israelenses. A aeronave levava 174 pessoas. Até agora não há acusação formal contra ninguém.

Israel trata o caso como tentativa de ataque terrorista. A flydubai, porém, não confirmou a motivação: em nota, a companhia disse que os motivos da briga não foram esclarecidos e pediu que "as partes se abstenham de especulações prematuras".

Segundo autoridades israelenses ouvidas pela Reuters, o copiloto pode ter esfaqueado o comandante numa possível tentativa de ataque terrorista. As mesmas fontes, sob anonimato, foram mais cautelosas que os comunicados oficiais e negaram relação com problema de saúde mental de algum dos pilotos.

Os dados do voo mostram uma queda de quase 14 mil pés, cerca de 4,2 mil metros, em menos de 30 segundos antes do primeiro alerta de emergência, segundo o Flightradar24.

Em comunicado, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, chamou o episódio de "ataque terrorista jihadista" e disse que passageiros invadiram a cabine para retomar o controle do avião.

Um dos pilotos esfaqueou o segundo piloto e aparentemente tentou derrubar o avião com todos a bordo.

A frase é do premiê Binyamin Netanyahu, em comunicado. Segundo ele, um passageiro invadiu a cabine com um tripulante e ajudou a neutralizar o suspeito, enquanto outra dupla da tripulação assumiu os comandos e estabilizou o avião. Essa versão não foi confirmada de forma independente.

Um porta-voz do gabinete de Netanyahu, Doron Spielman, disse que não acreditava se tratar de um sequestro, chamando o caso de "incidente diferente".

Como um piloto de Omã foi escalado para um voo a Israel

Uma autoridade israelense apontou o suspeito, sob anonimato, como um cidadão de Omã que trabalhava na flydubai havia cerca de nove meses. A informação sobre a nacionalidade não foi confirmada por Israel, por Omã nem pela flydubai.

Ainda assim, a ministra dos Transportes israelense, Miri Regev, pediu ao Shin Bet que suspenda todos os voos da flydubai que entram e saem de Israel, com base nesses relatos.

Reportagens internacionais apontam que os acordos da flydubai para voos a Israel exigem que os pilotos sejam de países com relações diplomáticas normalizadas com o país. Omã não tem esse tipo de relação com Israel.

Se a exigência de nacionalidade for confirmada, o caso expõe uma possível falha de triagem da flydubai na escala de tripulação para voos a Israel.

Omã integra o grupo de países do Golfo que ainda não normalizaram relações com Israel. O país tem papel ativo na diplomacia regional e fechou recentemente um acordo com o Irã sobre uma nova rota no Estreito de Ormuz.

O caso volta a colocar Netanyahu no centro das atenções. Na semana passada, ele foi citado por Lula ao lado da palavra "genocídio" em discurso na ONU sobre Gaza.

Netanyahu também enfrenta outros pedidos internacionais ligados à guerra em Gaza, como o da Turquia à Interpol, por causa do caso da flotilha com brasileiros.

O que ainda depende da investigação saudita

Nenhum país confirmou oficialmente a nacionalidade do piloto suspeito, que segue detido e interrogado pela polícia da Arábia Saudita, fora da jurisdição de Israel. Ele não foi formalmente acusado, não há denúncia recebida e sua versão dos fatos não veio a público.

Fica em aberto se o episódio muda a forma como companhias aéreas escalam tripulações para rotas sensíveis, e se a suspensão de voos pedida por Regev entra em vigor.