A arma usada no ataque ao comandante da Flydubai não foi contrabandeada. Era um machado de emergência que já fazia parte do equipamento da cabine de comando, segundo apuração sobre o caso que feriu gravemente o piloto na quarta-feira (30).

O avião, que seguia de Dubai a Tel Aviv, chegou a cair cerca de 4,2 mil metros em menos de 30 segundos antes do primeiro alerta de emergência, segundo dados do Flightradar24 já apurados sobre o caso.

O comandante indiano Smit Machchhar, ferido, ainda conseguiu abrir a porta da cabine para deixar passageiros entrarem e imobilizarem o agressor. Autoridades israelenses tratam o caso como tentativa de ataque terrorista; a Flydubai pede cautela e diz que os motivos ainda não foram esclarecidos.

Como o agressor teve acesso à arma

A arma não foi contrabandeada. Tripulantes passam por um controle de acesso baseado em confiança, o que deu ao copiloto, de nacionalidade omanense, acesso natural ao machado de emergência que toda cabine de comando carrega para evacuações.

A Flydubai suspendeu os voos para Israel, e autoridades de Israel, da Arábia Saudita e dos Emirados investigam como um piloto de Omã, país sem relações diplomáticas com Israel, foi autorizado a operar a rota.

O que a Germanwings já tinha mostrado

Em 2015, o copiloto da Germanwings trancou por dentro a porta reforçada da cabine e jogou o avião contra os Alpes franceses, matando 150 pessoas.

A porta, criada após o 11 de Setembro para impedir sequestro externo, também isolou uma ameaça que veio de dentro.

O caso Flydubai é diferente. O copiloto já estava dentro da cabine e usou o próprio equipamento de bordo contra o colega, em vez de trancar a porta para ficar sozinho.

Mas o paradoxo segue o mesmo mais de uma década depois. A segurança pensada para a ameaça de fora ainda não resolveu a ameaça que vem de dentro da própria tripulação.

No Brasil, a Anac reduziu em 40% suas ações de fiscalização neste ano por cortes no orçamento, atingindo a supervisão de empresas aéreas e a certificação de operadores, embora não haja relação direta com o caso Flydubai.

O ponto em aberto

A Flydubai suspendeu os voos para Israel até concluir a investigação sobre o ataque. O caso reabre uma pergunta que a aviação civil ainda não resolveu, mais de uma década depois da Germanwings.

O controle de acesso baseado em confiança sobre a tripulação ainda é suficiente quando a ameaça pode vir de dentro da própria cabine?