Os houthis tomaram a cidade portuária de Mocha, no Iêmen, nesta quinta-feira (10), segundo quatro fontes militares do governo iemenita ouvidas pela Reuters. O avanço aproxima o grupo do estreito de Bab el-Mandeb, rota de petróleo e cargas cujas interrupções atingem a logística internacional.
Segundo a reportagem publicada pela CNN Brasil, forças governamentais e seus aliados recuavam para Dhubab, mais ao sul. O controle dessa cidade e da ilha de Perim é necessário para dominar a passagem, disseram as fontes militares.
O grupo também lançou ataques contra as ilhas de Hanish, no Mar Vermelho. Bab el-Mandeb fica entre o Iêmen e a costa africana e conecta a saída sul desse mar às rotas que chegam ao Canal de Suez.
A passagem atende ao transporte de petróleo e combustíveis do Golfo Pérsico rumo ao Mediterrâneo, segundo a Reuters. A tomada de Mocha ocorreu após a intensificação dos combates entre os houthis e forças ligadas ao governo reconhecido internacionalmente.
Como o risco chega ao comércio brasileiro?
O risco para o comércio brasileiro envolve prazos de entrega, conexões entre portos e custos de transporte. Em análise publicada em 28 de agosto, o Grupo Lachmann apontou esses efeitos para importadores e exportadores que dependem de ligações com Ásia e Europa.
A empresa explicou que o desvio de navios pelo Cabo da Boa Esperança acrescentou dias ou semanas de viagem. Rotas mais longas aumentaram os gastos dos armadores com combustível e operação, com repercussão na previsibilidade das entregas.
No boletim latino-americano de 1º de setembro, a Maersk também atribuiu às interrupções no Mar Vermelho o aumento do tempo de viagem e dos custos logísticos. Esse diagnóstico antecede a tomada de Mocha e descreve dificuldades já enfrentadas pelas cadeias de abastecimento.
O efeito para uma carga brasileira depende da rota e das conexões contratadas. A análise da Lachmann destaca o risco de congestionamento nos portos de conexão. A mudança nas viagens se soma à instabilidade do frete marítimo acompanhada pelo portal.
Disputa pelo controle da costa
A disputa pelo controle da costa envolve o governo iemenita e os houthis, aliados do Irã. Segundo a Reuters, o comandante Tarek Saleh ordenou que suas forças estabelecessem um centro de comando alternativo em local seguro, diante do avanço adversário.
O Paquistão transmitiu a Teerã um alerta saudita para conter os aliados houthis, disseram fontes ouvidas pela agência. Um alto funcionário iraniano confirmou o recebimento da mensagem e apresentou a posição de seu país sobre o grupo.
"O Irã não controla os houthis", afirmou o funcionário à Reuters.
Para empresas com embarques conectados à região, a Lachmann recomenda acompanhar a programação dos navios e reservar margem no planejamento de chegada das cargas. A orientação inclui conferir alterações nas conexões e nos transbordos antes de organizar a distribuição.


























