O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em pronunciamento à nação na noite de domingo (6), véspera do 7 de Setembro, que o Brasil não vai voltar a ser colônia de nenhuma potência estrangeira. No discurso em rede nacional, ele defendeu a soberania do país sobre seus recursos naturais em meio à disputa comercial com os Estados Unidos.
Segundo a Agência Brasil, a fala foi ao ar às 21h13 e antecedeu o desfile cívico-militar desta segunda-feira (7) na Esplanada dos Ministérios. A fala foi autorizada pelo TSE, que garantiu o uso da rede a um mês da eleição.
Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém.
Lula completou dizendo que "nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender" e que as decisões do país "pertencem a nós e a mais ninguém".
No discurso, o presidente lembrou que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo. A referência internacional usada para medir essas reservas, o levantamento anual do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), aponta cerca de 21 milhões de toneladas no país, atrás apenas da China, com 44 milhões.
Mesmo assim, o Brasil responde por menos de 1% da produção mundial do minério, hoje concentrada em Minas Gerais, Goiás, Amazonas e Bahia.
Uma semana antes, o bloqueio chinês às exportações do minério aos Estados Unidos já havia elevado a disputa global por terras raras. Em agosto, o Senado aprovou lei que dá à União poder de veto sobre a exploração do minério por empresas estrangeiras.
O pano de fundo do discurso
A ênfase na soberania comercial ganhou força depois que os Estados Unidos aplicaram, em julho, uma tarifa de 37,5% sobre produtos brasileiros. A sobretaxa atinge US$ 6,6 bilhões em exportações e recai sobre calçados, móveis, madeira e máquinas.
É o equivalente a 16,5% de tudo o que o Brasil vende aos americanos. O PT já usa o tarifaço para atacar o governador Tarcísio de Freitas na disputa paulista.
Enquanto Lula falava em soberania, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, mobilizava apoiadores para um ato na Avenida Paulista com os lemas "Fora Lula, Fora Moraes" e "É agora ou nunca". Ele não respondeu diretamente à fala do presidente.
Em live nas redes sociais no domingo, Flávio chamou a convocação de "um chamado de Deus" e confirmou a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no ato.
Assine o Resumo do dia e receba de segunda a sábado, no seu e-mail, as notícias que você não pode perder.
Sem spam — você pode cancelar quando quiser.
Durante a transmissão, ele também cobrou da ministra Cármen Lúcia uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Nenhum dos dois citou o outro pelo nome.
O que acontece agora
O ato de Flávio Bolsonaro na Paulista está marcado para as 15h desta segunda-feira (7).
O desfile na Esplanada começou às 9h e segue até por volta das 11h, com estudantes de escolas públicas, tropas das Forças Armadas, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.



























