O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (20) para Nova York, onde discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU na terça-feira (22), tradição brasileira desde 1955. Ele deve pedir neutralidade dos Estados Unidos na eleição presidencial de outubro.
Não há reunião bilateral marcada entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que discursa logo depois do brasileiro. O Planalto não descarta um encontro informal na coxia do palco, na transição entre os dois discursos.
A viagem ocorre dias depois de a Abin elevar a um nível de criticidade o risco de interferência dos Estados Unidos na eleição, segundo relatório enviado ao Planalto e ao TSE. Segundo a agência, há tendência de escalada de pressão sobre o Brasil.
O documento aponta intensificação seletiva da postura americana, que considera a hegemonia sobre a América Latina prioridade do governo Trump. O mesmo relatório afirma que Washington cogita sanções econômicas, comerciais e diplomáticas, além de classificar facções brasileiras como organizações terroristas.
Um documento enviado ao Itamaraty exigiu que o Brasil permitisse candidaturas de dissidentes políticos nas eleições de 2026. O governo brasileiro classificou o pedido como ingerência direta no processo eleitoral.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, atribuiu publicamente a Lula a responsabilidade pela imposição das tarifas dos EUA a produtos brasileiros. Trump já citou o ex-presidente Jair Bolsonaro em carta enviada a Lula sobre o tema.
O que acontece agora
Além do discurso na ONU, o chanceler Mauro Vieira embarca de novo aos Estados Unidos para a reunião de ministros de Comércio do G20, ao lado do ministro Márcio Elias Rosa. O encontro em Milwaukee ocorre entre 30 de setembro e 1º de outubro.
Será a primeira reunião presencial entre Brasil e Estados Unidos sobre o tarifaço desde que Washington aplicou tarifas de até 37,5% a produtos brasileiros, segundo confirmação do ministro Márcio Elias Rosa.
Um possível acordo sobre terras raras é visto como pano de fundo para um reencontro entre Lula e Trump ainda esta semana, em meio à disputa comercial entre os dois países.
Já em setembro de 2025, na mesma Assembleia Geral da ONU, integrantes do governo brasileiro apostavam que a relação pessoal entre os dois líderes ajudaria a destravar o impasse tarifário. Um ano depois, o tarifaço segue sem solução.




































