O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (20) para Nova York, onde discursa na terça-feira (22) na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU. É a 11ª vez que ele participa do evento, que só deixou de cumprir em 2010.

A tradição de 71 anos mantém o Brasil como o primeiro país a falar, seguido pelos Estados Unidos, representados por Donald Trump.

A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU, criado em 1945 pela Carta das Nações Unidas. Reúne 193 Estados-membro, cada um com direito a um voto.

Pode aprovar o orçamento da entidade, eleger membros não permanentes do Conselho de Segurança e discutir paz e segurança internacionais. A sessão deste ano segue até 28 de setembro, sob o tema Restaurando a confiança, administrando a transformação.

O que Lula deve dizer no discurso?

Lula deve defender a soberania brasileira, a democracia e o multilateralismo, segundo autoridades do governo. O discurso também deve tratar da economia internacional e das guerras em curso.

Também devem entrar a composição do Conselho de Segurança da ONU, a defesa institucional dos processos eleitorais brasileiros, a mudança climática e as regras de comércio mundial, incluindo tarifas.

O presidente deve evitar citar diretamente Trump ou os Estados Unidos, optando por linguagem diplomática. Auxiliares afirmam que o texto ainda está em revisão e pode mudar até a véspera da apresentação.

É o pano de fundo da relação recente: a Abin elevou a nível crítico o risco de interferência dos EUA nas eleições brasileiras.

O chanceler Celso Amorim já entregou a Xi Jinping uma carta que critica a ingerência americana em assuntos internos.

O governo brasileiro também monitora os drones dos EUA que chegaram à América do Sul, vistos aqui como risco de espionagem.

O que acontece agora

Lula sobe à tribuna na terça-feira, na sequência do discurso do chanceler de Bangladesh, Khalilur Rahman, que preside a sessão. Trump discursa logo depois do brasileiro.

Não há reunião bilateral entre os dois formalmente agendada até o momento, embora contato de bastidores continue possível ao longo da Assembleia. O presidente retorna ao Brasil já na terça, após o discurso.