A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou a um "nível de criticidade" o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026, em relatório enviado ao Planalto, à Justiça e ao TSE. Lula viaja a Nova York a 14 dias do 1º turno.
O petista discursa na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22), antes de Donald Trump.
É tradição que o Brasil mantém desde 1955, abrindo os trabalhos antes do presidente do país anfitrião. Segundo o governo, Lula deve defender a soberania nacional e pedir neutralidade das potências no pleito de outubro.
Apesar de não haver reunião bilateral marcada com Trump, o Planalto não descarta um encontro informal nos bastidores. O relatório da Abin cita uma "escalada de pressão" e uma "intensificação seletiva" da influência americana sobre o Brasil.
O texto cita registros do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026 e trata a hegemonia dos EUA na América Latina como prioridade do segundo mandato do republicano.
A ofensiva que a Abin identificou
A ofensiva que a Abin identifica tem no centro o secretário de Estado americano Marco Rubio, apontado como a figura-chave da articulação de Washington. Segundo o relatório, ele tentou atribuir a Lula a responsabilidade pelas tarifas dos EUA contra produtos brasileiros.
Rubio já classificou o Brasil, ao lado de Cuba, Venezuela e Nicarágua, como foco de resistência à liderança americana na região. A estratégia descrita no relatório inclui sanções a empresas e pessoas ligadas ao PCC, restrições a transações em dólar e barreiras comerciais.
A lista antiterror dos EUA já soma 13 grupos, incluindo o PCC e o Comando Vermelho, classificados como organizações terroristas.
Lula rechaçou as exigências da Casa Branca sobre o processo eleitoral. Ele tratou como "arquivo morto" uma minuta americana sobre "dissidentes políticos" e classificou as propostas como ingerência na soberania nacional.
O que acontece agora
O chanceler Mauro Vieira embarca para os Estados Unidos para a reunião de ministros de Comércio do G20, em Milwaukee, entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, acompanhado do ministro Márcio Elias Rosa.
A expectativa é que Brasil e EUA se reúnam à margem do encontro para discutir o tarifaço. Seria a primeira reunião presencial desde a retomada das tratativas comerciais, caso se confirme.
Integrantes do governo já disseram que o tarifaço só deve se resolver depois das eleições de outubro.





























