Ronaldo Caiado (PSD) disse neste domingo (20), em agenda de campanha na Avenida Paulista, que enviará ao Congresso uma proposta para classificar facções criminosas como grupos terroristas se for eleito presidente. O candidato voltou a tratar a segurança pública como eixo da disputa de 2026.

A fala ocorreu depois de os Estados Unidos classificarem PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas em maio. A decisão americana já havia entrado no debate eleitoral e motivado nova leitura sobre a lista antiterror dos EUA.

Segundo a CNN Brasil, Caiado afirmou que a proposta brasileira não dependeria de decisão estrangeira. “A decisão brasileira não depende de decisão de europeu e nem de americano. Ela é uma decisão nossa”, declarou o candidato.

O presidenciável também acusou o governo do PT de conivência com o narcotráfico. A acusação foi feita em fala de campanha e aparece atribuída ao candidato nas reportagens usadas pela TV Sim Brasil.

O que Caiado propõe?

O que Caiado propõe é enquadrar facções criminosas como terrorismo doméstico e combinar inteligência policial com ação internacional. Segundo a CNN, ele citou polícias brasileiras e forças de países vizinhos que possam atuar contra entrada, saída e produção de drogas ilegais.

Essa agenda não nasceu neste domingo. Em maio, Caiado já havia defendido o enquadramento das facções como grupos terroristas e falado em alianças com países de fronteira e com os Estados Unidos para enfrentar o crime organizado.

O tema ganhou novo peso porque Washington considera novas sanções ligadas a PCC e CV. A TV Sim Brasil mostrou que os EUA estudam sanções contra brasileiros ligados a facções, com foco em redes financeiras.

Qual é o limite da cooperação externa?

O limite da cooperação externa, segundo a própria campanha de Caiado, é a soberania brasileira. À Folha, Roberto Brant, coordenador do programa do candidato, disse que toda operação em território nacional teria de ocorrer sob comando das autoridades brasileiras.

Em entrevista anterior ao Jornal Nacional, Caiado também disse que não autorizaria militares dos EUA a entrar no Brasil para combater tráfico de drogas e contrabando de armas. Ele defendeu uma polícia conjunta com países vizinhos.

“Não tenho porque autorizá-los. Para que? Vamos tratar entre nós. São dez países e o Brasil tratando deste assunto aqui”, afirmou Caiado na entrevista citada pelo UOL.

O que acontece agora

O que acontece agora é a tentativa de transformar a pauta de segurança em contraste eleitoral. No mesmo ato, Caiado defendeu limitar gastos a até 50% do crescimento do PIB, reduzir repasses a Poderes e órgãos independentes e auditar programas com inteligência artificial.

A proposta sobre facções ainda depende de envio formal ao Congresso, caso Caiado seja eleito.

Até lá, ela se soma a outras promessas de campanha, como a discussão sobre revogações e alinhamento institucional que apareceu na agenda de Flávio Bolsonaro para o primeiro dia de governo.