A Rússia matou pelo menos 10 pessoas e feriu 17 num ataque a Petchenihi, no norte da Ucrânia, nesta terça-feira (18). Horas depois, a Ucrânia respondeu com 637 drones contra a região de Moscou, dos quais 180 foram interceptados. É a onda de ataques mais intensa desde março de 2022.
O ataque russo atingiu Petchenihi, cidade a cerca de 60 km de Kharkiv. Segundo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, a área tinha "um posto de correio e lojas, cercado apenas por prédios residenciais".
A onda de ataques desta terça-feira marca, segundo o balanço mais recente, o período mais intenso desde março de 2022, mês seguinte ao início da invasão russa, com média de 21,8 civis mortos por dia em julho.
Horas depois do ataque em Kharkiv, a Ucrânia lançou 637 drones contra a região de Moscou, dos quais 180 foram interceptados pelas defesas russas. O principal alvo atingido foi um depósito da Wildberries, empresa que controla 45% do varejo on-line russo. Até a publicação desta reportagem, não havia relato de feridos do lado russo.
No front de batalha, tropas russas capturaram os vilarejos de Krasnopodillia e Orikhuvatka, na região de Donetsk, no leste ucraniano.
O governo de Vladimir Putin também advertiu o Reino Unido sobre "consequências" pelo uso de drones britânicos contra o território russo. O Ministério da Defesa britânico confirmou que vai manter o fornecimento de equipamento militar à Ucrânia.
Por que a guerra pesa no bolso do produtor brasileiro
A escalada mexe também com o Brasil, mesmo a milhares de quilômetros de distância. O país importa 85% do fertilizante que usa na lavoura, e a Rússia é o maior fornecedor isolado, respondendo por 26% do total importado, segundo dados do setor de agronegócio.
A Rússia já suspendeu temporariamente o envio de nitrato de amônio ao Brasil em meio às sanções da guerra. Um novo racionamento, se a escalada se agravar, pode pressionar o custo da safra 2026/27, preocupação que levou o governo federal a abrir negociações emergenciais com Rússia, China e Marrocos para garantir insumo fosfatado.
O gargalo é estrutural. O gás natural, insumo-chave para o fertilizante nitrogenado produzido no Brasil, custa sete vezes mais no país do que nos Estados Unidos, o que mantém a produção doméstica pouco competitiva mesmo com o preço internacional em alta.
Uma nova rodada de restrições por parte da Rússia e da China teria potencial de pressionar a inflação de alimentos no Brasil e comprometer o planejamento da safra seguinte, segundo análise do setor de agronegócio sobre o risco para o segundo semestre de 2026.
O Plano Nacional de Fertilizantes do governo brasileiro tem meta de reduzir a dependência externa para metade até 2050. Até lá, o fornecimento de insumo para a lavoura brasileira segue sujeito a decisões tomadas na guerra entre Rússia e Ucrânia.


























