O governo dos Estados Unidos voltou a discutir a aplicação de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, informou o jornal britânico Financial Times neste domingo (16). Segundo o FT, a reimposição de medidas da Lei Magnitsky está em análise, quase oito meses depois de Washington ter revogado as sanções anteriores.

Uma fonte ligada ao assunto disse ao jornal que "a reimposição de medidas Magnitsky está em análise" dentro do governo americano. O FT não detalhou prazo nem alcance de eventuais novas sanções.

Por que o tema voltou à mesa

A discussão foi reaberta depois que Moraes autorizou, em março, buscas contra o jornalista Luis Pablo Conceição Almeida. Recentemente, o ministro também autorizou busca contra o ex-secretário maranhense Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista.

As duas operações têm origem em reportagens de Luis Pablo sobre possível uso irregular de carros oficiais pelo ministro do STF Flávio Dino e familiares no Maranhão.

Aliados de Dino negam irregularidade. Eles afirmam que o veículo em questão era particular, não oficial, e que Luis Pablo teria cobrado R$ 100 mil para não publicar a reportagem.

O jornalista nega ter seguido o carro e nega ter recebido qualquer valor de Dino ou de aliados.

O STF não comentou o caso até a publicação desta reportagem.

O que a Lei Magnitsky fez com Moraes da primeira vez

Moraes já havia sido alvo da Lei Magnitsky em julho de 2025. O Departamento de Estado revogou, em 18 de julho daquele ano, o visto do ministro e de familiares imediatos.

Na sequência, o Tesouro americano bloqueou bens e interesses de Moraes em território dos Estados Unidos e dificultou transações ligadas a instituições americanas, caso de companhias aéreas e operadoras de cartão de crédito.

Segundo comunicado da embaixada dos EUA à época, a medida também puniu o ministro por supervisionar um esforço "direcionado e politicamente motivado" para silenciar críticos, com ordens que obrigavam plataformas online a banir contas por publicações protegidas como discurso.

A sanção esteve associada ao julgamento que levou à condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Ela ocorreu em meio à articulação de aliados dele nos Estados Unidos, entre eles o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.

Washington retirou Moraes da lista de sanções em 12 de dezembro de 2025, cinco meses depois de aplicá-las.