Um ônibus da empresa Estela Guia Turismo tombou na madrugada deste domingo (16) na Serra de Petrópolis, na BR-040, e deixou ao menos nove mortos e 13 feridos, segundo balanço mais recente. A Polícia Rodoviária Federal havia confirmado oito mortes até as 8h11. O veículo ia de Belo Horizonte a Copacabana, com 47 pessoas a bordo.

O capotamento aconteceu por volta das 4h30, no km 91, na região da Cascatinha.

O trecho é apontado como um dos mais críticos da rodovia. Tem curvas fechadas, declive acentuado, acostamento estreito e neblina frequente, principalmente de madrugada — justamente o horário do acidente deste domingo.

Um levantamento de rodovias da Confederação Nacional do Transporte já havia identificado pontos da BR-040 no Rio como críticos, com erosão de pista e sinalização precária.

Em todo o país, as rodovias federais tiveram queda nos acidentes em 2025. Segundo o Anuário Estatístico da Polícia Rodoviária Federal, foram 72.483 acidentes e 6.044 mortos no ano.

A redução foi de 4% nas mortes frente a 2024. A média nacional é de 199 acidentes e 16 mortes por dia na malha federal.

A queda geral não resolve o problema pontual da serra. O trecho liga Juiz de Fora ao Rio e recebe cerca de 12 mil veículos por dia, mistura de ônibus de turismo, caminhões de carga e tráfego urbano da região serrana.

Quanto custa e quando fica pronta a obra que pode mudar o trecho

Existe um projeto para reduzir o risco da serra, mas ele está longe de sair do papel. Segundo o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal, o leilão do trecho ocorreu no fim de abril deste ano.

O vencedor foi o Consórcio Nova Estrada Real, formado por duas empresas espanholas e uma brasileira.

A assinatura do contrato estava prevista para agosto. É a partir dela que passa a contar o prazo de seis anos para concluir a obra, orçada em R$ 8 bilhões.

Mesmo que a assinatura ocorra no prazo previsto, a conclusão só é esperada para 2031. A obra estava parada desde 2016.

O que o projeto promete resolver

O pacote de obras prevê 13,4 km de trechos duplicados e 78,1 km de faixas adicionais, além de 11,7 km de ciclovias, 32 pontos de ônibus e 12 passarelas de pedestres.

O item mais relevante para acidentes como o desta madrugada é um dos três túneis planejados. Ele deve reduzir em 5 km a distância entre Rio e Petrópolis e tirar veículos pesados, como ônibus e caminhões, das curvas mais fechadas da serra.

Empresários de Petrópolis já cobravam o andamento do projeto antes do acidente. Eles apontam o atraso do leilão como entrave direto para a economia da região, que depende do fluxo de turistas e cargas pela rodovia.

Quantos anos ainda até a serra mudar

A obra que pode reduzir o risco do trecho só deve ficar pronta em 2031. São cinco anos depois do leilão que a destravou, quinze depois de ter sido paralisada.

Até lá, a Serra de Petrópolis segue com o mesmo traçado de curvas fechadas, acostamento estreito e neblina que caracteriza o trecho há décadas.

A pergunta que fica não é sobre o que causou o acidente desta madrugada. Isso cabe à perícia. É quantos anos o principal percurso entre Minas, Rio e São Paulo ainda vai operar do jeito que o colocou na lista de pontos críticos do país.