A Polícia Militar do Rio de Janeiro declarou nesta segunda-feira (24) que a ocupação das comunidades do Complexo de Israel, na Zona Norte, passa a ser por tempo indeterminado. A ação prendeu quatro suspeitos e apreendeu dois fuzis e duas granadas na região dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP).

Segundo a corporação, a decisão busca retomar o controle territorial de áreas sob influência de grupos armados. A ação também reage a barricadas e valas abertas pelo tráfico, além de episódios de intolerância religiosa contra terreiros de matriz africana promovidos por integrantes do TCP.

A extensão da ocupação é desdobramento da ação que a PM iniciou nesta segunda-feira, quando fechou a Avenida Brasil e a Linha Vermelha. A operação também suspendeu aulas em quatro escolas municipais de Vigário Geral e Parada de Lucas.

A área já tinha sido alvo de uma megaoperação na sexta-feira (21), quando um motorista de ônibus foi baleado por bala perdida. O Complexo de Israel reúne as comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cordovil, Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas.

Durante a madrugada desta terça-feira (25), criminosos reagiram à presença policial incendiando dois caminhões para bloquear a pista na altura de Acari.

Por volta das 2h30, a PM fechou preventivamente a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Rodovia Washington Luís (BR-040). O trânsito foi liberado antes das 3h.

Ao declarar prazo indeterminado, a corporação empurra o fim da operação para uma data que ainda não existe. É diferente da ação pontual anunciada no primeiro dia da ocupação.

O balanço específico desta fase, segundo a PM, é de quatro suspeitos presos e dois fuzis apreendidos. Também foram recolhidos duas granadas, um rádio transmissor e um colete à prova de balas.

A ação mobilizou mais de 200 policiais militares. Participaram unidades do Bope, do Comando de Operações Especiais, do Grupamento Aeromóvel e do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas.

O que acontece agora

A PM não deu data para encerrar a ocupação. A corporação diz que o prazo é por tempo indeterminado, enquanto durar o esforço para reduzir as barricadas e a atuação do TCP na região.

A corporação informou que unidades vão permanecer nas comunidades e que novos balanços de prisões e apreensões devem ser divulgados a cada fase da operação.

A Avenida Brasil e a Linha Vermelha, via de passagem diária entre a Zona Norte e o Centro do Rio, seguem sujeitas a bloqueios pontuais enquanto a ocupação durar.