Um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da investigação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) traz uma conversa em que Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e sua secretária escolhem vinhos de até R$ 5,3 mil como presentes de fim de ano para políticos da Bahia. O documento foi divulgado nesta quinta-feira (30).
A lista, intitulada “Lembranças de Final do Ano”, reúne os nomes de Jaques Wagner; do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues; do prefeito de Salvador, Bruno Reis; do ex-prefeito da capital baiana e candidato ao governo do estado ACM Neto (União Brasil); do ex-ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa; e do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda.
Segundo o relatório, em 17 de dezembro de 2024 a secretária de Lima, identificada como Andrezza, enviou mensagem lembrando das “lembranças de fim de ano”. Seis dias depois foram compartilhadas fotos de embalagens de um empório chamado “Casa dez”, sem que ficasse especificado qual vinho foi escolhido. Dois rótulos aparecem na conversa: o Alma Viva, de R$ 2,5 mil, e o Pera Marica, de R$ 5,3 mil.
Não há confirmação de que os presentes tenham sido entregues. O documento mostra apenas imagens de embalagens endereçadas a “Jaques” e a “Tio Guiga”, apelido de Guilherme Henrique Sodré Martins. As reportagens sobre o relatório não apontam os políticos citados na lista como investigados e, segundo elas, os citados não haviam se manifestado até a publicação.
O que diz a Polícia Federal
No documento, a corporação pondera que os valores seriam “relativamente modestos” em comparação com as fraudes apuradas no Banco Master, mas sustenta que a lista revelaria a “dinâmica de poder” de Augusto Lima. “É certo que tais condutas podem caracterizar a concessão de vantagens em razão da função pública”, diz um trecho. A PF registra ainda que “todos os destinatários elencados ocupam ou ocuparam cargos relevantes na esfera política”.
A representação foi apresentada ao ministro André Mendonça, do STF, em junho de 2026, e o sigilo do documento foi levantado por ele. Lima, sócio-fundador do Banco Master, é investigado no âmbito da operação Compliance Zero.
Diálogo com ex-ministro de Bolsonaro
O mesmo relatório cita uma conversa de 22 de maio de 2024 entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro entre 2020 e 2022. Vorcaro informou que ACM Neto havia estado em sua casa, e Faria respondeu: “Agora é aproximar o PT da Bahia”. Em seguida, acrescentou “Mas isso não será problema” e “O ideal é sair bem”.
Wagner é investigado sob suspeita de ter recebido vantagens econômicas indevidas de gestores do Master. Entre os benefícios apontados pela PF estão uso gratuito de aeronaves, ingressos para shows, um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões e pagamentos a empresa ligada a familiares. Procurados, Faria, Wagner e ACM Neto não se manifestaram.














