O Ministério da Saúde inicia nesta quarta-feira (23/9) uma expedição de dez dias pela Terra Yanomami, no estado de Roraima, com previsão de 750 consultas e exames médicos. A ação atende cerca de 2.544 indígenas espalhados por 33 comunidades, a partir do Polo Base Surucucu.

Os 750 procedimentos previstos equivalem a quase três atendimentos para cada dez moradores da região, considerando os 2.544 indígenas cobertos pela missão. Alguns pacientes devem passar por mais de uma consulta ou exame.

A missão é conduzida pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami e Ye'kwana. O grupo tem apoio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e do programa AgSUS, do Ministério da Saúde.

O atendimento cobre pediatria, clínica médica, saúde da mulher, exames laboratoriais e ultrassonografia. Toda a estrutura funciona no Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI) Xapori Yanomami e em comunidades do entorno do Polo Base Surucucu.

A equipe prioriza crianças com doenças respiratórias, infecções recorrentes e desnutrição, além de gestantes e mulheres em idade reprodutiva. Também são avaliados pacientes com doenças crônicas, complicações respiratórias e casos de malária.

Ali, a distância decide se um caso simples vira emergência.

Segundo a equipe responsável, o objetivo da missão é reduzir remoções evitáveis para hospitais fora do território e fortalecer a rede de saúde indígena na região. Os deslocamentos de emergência hoje dependem de aeronaves, o que a missão tenta reduzir.

O território vive emergência em saúde pública declarada pelo Ministério da Saúde desde janeiro de 2023. Na época, o governo identificou desnutrição infantil grave e falta de assistência entre os Yanomami.

A Terra Yanomami também foi notícia recente por garimpo ilegal que abastecia grandes empresas de tecnologia. Missões como esta não são raras. Em setembro, o DSEI do Amazonas vacinou 22 aldeias indígenas em operação parecida.

O que acontece agora

A expedição segue até 30 de setembro. Entre os casos avaliados estão pacientes com malária, doença para a qual o Brasil passou a oferecer um remédio que reduz recaídas, incorporado neste ano ao SUS.