O TSE lançou nesta terça-feira (22) um painel nacional para monitorar casos de violência política de gênero no país, com mapa por estado e dados de processos na Justiça Eleitoral. O lançamento ocorreu durante o evento "Violência Política TEM Gênero", em Brasília.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, já foram acompanhados 419 casos, dos quais 93 viraram denúncias. Dados do TSE mostram que os processos saltaram de 15 em 2022 para 177 em 2026, alta de mais de 11 vezes em quatro anos.
Ao comentar os números, o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, disse que os registros podem não refletir a dimensão real do problema.
"Muitas mulheres ainda não reconhecem que estão sendo vítimas de violência política. Muitas não sabem que determinadas condutas constituem crime. Outras, mesmo sabendo, silenciam diante do medo, da pressão ou da estrutura de poder que enfrentam", disse o ministro.
A violência política de gênero não é apenas uma agressão contra uma mulher; é uma agressão contra a própria democracia.
Ele também cobrou os partidos por mais espaço para candidaturas femininas. O evento serviu ainda para apresentar a tecnologia Likeness ID, criada pelo TSE com o Google para identificar deepfakes e mídias sintéticas no YouTube que usem imagem não autorizada de candidatos.
A mobilização contra o problema já vinha da sociedade civil. No início da campanha eleitoral de 2026, a Legisla Brasil lançou a Plataforma Vigilante, que direciona vítimas aos canais oficiais de denúncia.
Levantamento do Instituto Marielle Franco com 77 casos entre 2021 e 2025 mostrou que 87% das vítimas eram mulheres negras, padrão visto também no caso das candidatas do PT em Minas Gerais alvo de ameaças coordenadas.
Mulheres ocupam só 17,2% das cadeiras da Câmara, ante 52,8% do eleitorado.
O que acontece agora
O TSE vai capacitar tribunais e zonas eleitorais para identificar e prevenir casos de violência política, ampliar canais de denúncia e reforçar a atuação conjunta com o Ministério Público Eleitoral em todo o país.
A Justiça Eleitoral também assinou um Protocolo de Ação Conjunta com a Procuradoria Geral Eleitoral para dar sequência às medidas anunciadas no evento desta semana.





























