A CSN registra o melhor desempenho de dívida externa entre emergentes desde a troca de comando, em 2 de setembro, quando Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale, assumiu o posto que Benjamin Steinbruch ocupava havia mais de duas décadas, desde 2002.

Desde a mudança, os títulos de dívida externa da CSN acumulam retorno médio de cerca de 5%, enquanto um índice mais amplo de dívida corporativa de mercados emergentes registra perda de 0,5% no mesmo período.

Investidores apostam que o programa de venda de ativos, represado há anos, finalmente vai andar sob o novo CEO. Steinbruch permanece na empresa como presidente do Conselho de Administração.

"Isso de fato dá uma nova cara a uma 'nova' CSN e reafirma a intenção da companhia de reduzir a alavancagem e simplificar o negócio", disse Nicolas Giannone, analista da Balanz.

Para Giannone, a escolha de um executivo de fora da família controladora é um sinal positivo, mesmo com Steinbruch continuando à frente do conselho. As ações da CSN (CSNA3) chegaram a subir quase 20% no dia do anúncio.

Por que a CSN precisa vender ativos?

A CSN chega à troca de comando com a dívida líquida em R$ 42 bilhões e alavancagem de 3,5 vezes o Ebitda no segundo trimestre. É esse endividamento que torna urgente destravar as vendas que a empresa promete há anos.

A venda mais avançada é a da unidade de cimentos, que pode ser anunciada nas próximas semanas. Huaxin, Votorantim e Polimix apresentaram ofertas vinculantes de cerca de R$ 11 bilhões cada.

O valor está abaixo dos R$ 15 bilhões que a CSN buscava pelo ativo, mas a empresa pode aceitar o preço menor. A unidade foi dada como garantia a bancos num empréstimo de ao menos US$ 1,2 bilhão tomado em março.

A CSN também negocia a venda da Stahlwerk Thüringen (SWT), unidade siderúrgica alemã comprada em 2012 por US$ 634 milhões. Em paralelo, negocia separadamente ativos de infraestrutura, como a fatia na ferrovia MRS Logística e terminais portuários em Itaguaí.

A fatia na MRS Logística ganhou valor nos últimos meses. A Vale, principal cliente da ferrovia, renovou o contrato de transporte até 2041, em acordo estimado em R$ 51,3 bilhões.

Acionistas da CSN Mineração também avaliam aumentar suas participações na controladora, aproveitando os preços de mercado atualmente deprimidos. Comprar mais barato agora é apostar que a limpeza do balanço vai aparecer no preço da ação mais à frente.

O que muda com a saída de Steinbruch?

Steinbruch deixou a presidência executiva depois de mais de duas décadas no cargo e passa a presidir o Conselho de Administração da siderúrgica. Schvartsman, que também passou por Klabin e Ultrapar, assumiu o comando a partir de 3 de setembro.

Analistas do UBS BB avaliam a escolha como positiva do ponto de vista de governança, já que o comando da CSN passa a ser totalmente profissionalizado. O BTG Pactual descreve Schvartsman como um executivo respeitado pelo mercado.

O que acontece agora

A negociação da venda da unidade de cimentos deve ser concluída nas próximas semanas, segundo pessoas a par do assunto que pediram para não ser identificadas.

Ainda não há data pública para a definição sobre os demais ativos de infraestrutura em negociação.