Material de campanha que mistura candidatos do PDT e do Republicanos causou racha no diretório estadual do PDT em São Paulo. Segundo o Metrópoles, dirigentes teriam usado o Fundo Eleitoral para bancar propaganda conjunta com o rival, prática proibida entre partidos diferentes.

O candidato a deputado federal Gilson Rocha (PDT) descobriu que a legenda encomendou "santinhos" com ele ao lado de Ely Santos, do Republicanos, candidata a deputada estadual, e de Juliana Rodrigues (PP). Rocha afirma não ter autorizado a junção das imagens.

Por que a dobrada é proibida?

A dobrada é ilegal quando envolve partidos diferentes pagando com dinheiro do Fundo Eleitoral, já que a lei não permite coligação em eleições proporcionais desde 2017. Um advogado eleitoral ouvido pelo Metrópoles disse que a resolução veda esse tipo de doação entre siglas diferentes.

O STF já decidiu no mesmo sentido: é vedado transferir esses recursos entre candidatos a cargos majoritários e proporcionais, mesmo quando os partidos estão coligados na disputa majoritária.

Um integrante do PDT resumiu o desconforto à reportagem: um partido é de direita e o outro, de esquerda, e a aproximação forçada pela dobrada soa como infidelidade partidária para os dois lados.

Quem mais está envolvido

Ely Santos é irmã de Ney Santos (Republicanos), ex-prefeito de Embu das Artes e também candidato a deputado federal. Ela aparece ainda em material de apoio de Bruninho Oliveira, integrante da direção nacional do PDT.

Segundo os relatos apurados pelo Metrópoles, o prefeito de Cotia, Welington Formiga, presidente do diretório estadual do PDT em São Paulo, e o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, estariam cientes do conteúdo da dobrada, que teria sido autorizado por um dirigente local.

Formiga, em uma live recente, já havia declarado apoio a outro candidato, Fran Silva, do Podemos. Episódios parecidos já levaram outras siglas a avaliar punição: o PT estuda punir uma prefeita mineira por apoiar candidato de fora da sigla.

A disputa em São Paulo acontece no mesmo estado em que o TRE-SP já retirou uma candidata da corrida ao governo nesta semana. Nem o Republicanos nem o diretório nacional do PDT comentaram publicamente o episódio até a publicação desta reportagem.

O que acontece agora

Caso a produção do material seja confirmada como paga com Fundo Eleitoral entre partidos diferentes, a irregularidade pode ser levada à Justiça Eleitoral, que já barrou candidatura fora das regras no caso de Pablo Marçal.