O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, denunciou quatro pessoas acusadas de monitorar a rotina do promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de unidades prisionais do oeste paulista, Roberto Medina. Segundo a investigação, o grupo atuava para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com o Ministério Público, cada denunciado tinha uma tarefa específica na coleta de informações: acompanhar a rotina e os locais de moradia das autoridades. Dois deles, ainda conforme o MP, faziam o contato com integrantes de outros núcleos da facção, e um estava negociando a compra de armamento — esse mesmo denunciado seria o mais cuidadoso em esconder conversas e negociações, com contato mais próximo dos níveis mais altos da organização.
O Ministério Público afirma que o grupo estava empenhado em adquirir armamento pesado, e as investigações apontaram tratativas para a compra de fuzis.
O que diz a denúncia
"Ficou claro que os denunciados, de forma coligada, atuaram no levantamento detalhado de rotinas/endereços/dados de autoridades públicas, com finalidade de repassar as informações para a 'Sintonia Restrita', setor da organização criminosa responsável pelo comando, coordenação e execução de ações de maior relevância estratégica do grupo, que efetivaria o atentado contra a vida das vítimas", diz a peça, assinada pelo promotor Juliano Carvalho Atoji.
A denúncia descreve ainda "a existência de um fluxo estruturado de informações, no qual os dados coletados em campo eram repassados a outros integrantes, responsáveis por centralizar ou processar as informações sensíveis relacionadas às vítimas".
Os quatro foram denunciados por integrar organização criminosa armada. O MP não apresentou denúncia por ameaça porque, segundo a peça, não houve ameaças diretas às vítimas por palavras, escritos ou gestos. A acusação foi formalizada com base em provas extraídas de celulares apreendidos, e as atividades do grupo estão documentadas desde junho de 2025, conforme a denúncia. Cinco investigados foram presos entre julho e setembro de 2025 por tráfico.
Alvos antigos da facção
Gakiya e Medina são alvo do PCC desde 2018, quando investigadores identificaram bilhetes manuscritos com ordens para matar os dois, segundo a denúncia. O promotor é ameaçado há cerca de 20 anos.
O caso tem origem na Operação Recon, deflagrada em outubro de 2025, que cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em sete cidades do interior paulista.
Os quatro são denunciados e não foram julgados — nenhuma das fontes consultadas informa que a Justiça já recebeu a denúncia, passo que transformaria os acusados em réus. As fontes consultadas não registram manifestação das defesas sobre a acusação.














