Entra em vigor no sábado (1º de agosto) o Acordo Mercosul-Singapura, que reduz ou elimina gradualmente as tarifas entre o país asiático e o bloco sul-americano. Segundo a Agência Brasil, a parceria garante tarifa zero para 100% das exportações brasileiras destinadas a Singapura e define critérios comuns para as operações comerciais.

O tratado não é novidade dentro do bloco: já está valendo no Uruguai desde março e no Paraguai desde fevereiro. Para o Brasil, a etapa final foi cumprida em 30 de junho, quando os instrumentos de ratificação foram depositados junto ao governo do Paraguai, país que presidiu o Mercosul no primeiro semestre. Antes disso, o acordo havia sido aprovado e promulgado pelo Congresso Nacional em junho.

O que muda para o exportador brasileiro

Além do corte de tarifas, o acordo amplia o acesso ao mercado de serviços, incentiva investimentos e traz um capítulo específico sobre comércio eletrônico — o primeiro negociado pelo Mercosul com um parceiro extrarregional.

O governo brasileiro disponibilizou no Portal Siscomex manuais de orientação para exportadores, importadores e operadores de comércio exterior, com as regras de aplicação das preferências tarifárias, os critérios de origem das mercadorias e os procedimentos necessários para realizar operações no âmbito do acordo.

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Singapura atingiu US$ 10,7 bilhões. As exportações brasileiras somaram US$ 7,4 bilhões, com superávit comercial de US$ 4,1 bilhões. Entre os principais produtos vendidos ao país asiático estão óleos combustíveis, máquinas e carnes bovina, suína e de aves.

Parte de uma leva de acordos

O acordo com Singapura é o primeiro tratado de livre comércio firmado pelo Mercosul com um país do Sudeste Asiático. Foi negociado desde 2018 e, segundo a expectativa do governo brasileiro à época da assinatura, deve incrementar o Produto Interno Bruto (PIB) em R$ 28,1 bilhões até 2041, além de aumentar em US$ 500 milhões por ano as exportações do Mercosul para Singapura.

De acordo com o governo brasileiro, com a entrada em vigor dos acordos do Mercosul com a União Europeia, com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com Singapura, a parcela da corrente de comércio brasileira beneficiada por preferências tarifárias passará de 12% para 31,2%.

O acordo com a EFTA — que reúne Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — foi assinado no Rio de Janeiro em setembro de 2025 e também teve os instrumentos de ratificação brasileiros depositados em 30 de junho. Em paralelo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) abriu em 2 de julho uma consulta pública sobre um eventual acordo de livre comércio entre Mercosul e Japão, com contribuições pela plataforma Brasil Participativo até 15 de agosto. Juntos, Mercosul e Japão reúnem cerca de 400 milhões de habitantes, PIB combinado de aproximadamente US$ 7 trilhões, e movimentaram US$ 11,5 bilhões em comércio em 2025.