Minas Gerais se manteve na liderança da mineração brasileira no primeiro semestre de 2026, com faturamento de R$ 57,6 bilhões — alta de 4,3% em relação ao mesmo período de 2025 e 38,2% de todo o dinheiro movimentado pelo setor no país. O Pará, segundo colocado, somou R$ 52,2 bilhões (34,6%). Juntos, os dois estados concentram 72,8% do faturamento nacional. Os dados constam de balanço do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) divulgado nesta terça-feira (28).

O motor do desempenho mineiro foi o ouro. A onça do metal foi cotada, em média, a US$ 4.695,98 no semestre, alta de 52,9% na comparação com o ano anterior, e as exportações mineiras do metal cresceram 64,5% entre janeiro e junho. Minas concentra operações de mineradoras como AngloGold Ashanti, Kinross Gold, CMOC Group e Jaguar Mining. Para o segundo semestre, o diretor de assuntos minerários do Ibram, Julio Nery, projeta que "a onça fique a US$ 4.200, por aí", cenário em que o ouro seguiria relevante para o estado.

Já o minério de ferro, principal produto da pauta mineral brasileira, teve recuo de 3,1% no faturamento em âmbito nacional, ainda que o preço tenha subido 3,7%, para US$ 104,75 por tonelada. Bahia, Goiás e Mato Grosso registraram as altas mais expressivas em participação nacional; a Bahia ficou em terceiro lugar, com 5% do total (R$ 7,5 bilhões).

Setor faturou R$ 150,7 bilhões no país

No Brasil, a indústria mineral faturou R$ 150,7 bilhões no semestre, crescimento de 8,2% ante os R$ 139,2 bilhões do mesmo intervalo de 2025. O minério de ferro respondeu por R$ 71,2 bilhões, ou 47,2% do faturamento do setor. O ouro somou R$ 25,3 bilhões (alta de 44,2%) e o cobre, R$ 20,6 bilhões (alta de 41%).

As exportações minerais alcançaram US$ 25,1 bilhões, avanço de 24,1%, com 196,2 milhões de toneladas embarcadas (aumento de 2,4%). A China foi destino de 70% do que o Brasil exportou. As importações somaram US$ 4,8 bilhões, o que deixou o saldo comercial mineral em US$ 20,3 bilhões — equivalente a 48% de todo o superávit comercial brasileiro no período, de US$ 42,36 bilhões.

A arrecadação de impostos, tributos e taxas gerada pelo setor chegou a R$ 52 bilhões, alta de 8,2%. A CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) somou R$ 3,8 bilhões, com avanço de 3,6%. A indústria extrativa mineral, excluídos petróleo e gás, registrou 229.614 empregos diretos, com a criação de 421 vagas formais entre janeiro e maio.

Ibram faz alerta sobre imposto seletivo

O Ibram aproveitou o balanço para cobrar alíquota zero para a mineração no imposto seletivo. Para o presidente da entidade, Pablo Cesário, "o imposto seletivo para o setor é, na prática, um imposto sobre a exportação de minério de ferro". Ele acrescentou que nenhum país cobra imposto seletivo incidindo sobre mineração. Segundo ele, "qualquer aumento de tributação pode comprometer nossa competitividade e até retirar empresas brasileiras desses mercados" — a entidade cita especialmente a concorrência da Austrália.

O instituto também alertou para a situação do enxofre: segundo o Ibram, a guerra no Golfo Pérsico provocou alta de 1.200% no preço do insumo desde janeiro de 2024, e as importações brasileiras caíram 41,9%. As duas últimas unidades de produção de ácido sulfúrico do país devem fechar em setembro, com impacto sobre fertilizantes, indústria química e biocombustíveis.

Para o período de 2026 a 2030, a carteira de investimentos do setor está estimada em US$ 76,9 bilhões, alta de 12,5%, dos quais US$ 21,3 bilhões destinados a minerais críticos — aumento de 15,2%.