A Coreia do Sul enviará uma missão sanitária a frigoríficos brasileiros em agosto, passo considerado decisivo para liberar a importação de carne bovina do Brasil pelo país asiático. O compromisso foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após encontro com o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, no Palácio da Alvorada, em Brasília, na segunda-feira (27).
"Agora temos o compromisso concreto de realização de missão sanitária ao Brasil no próximo mês. Passo decisivo para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado coreano", afirmou Lula. A inspeção é aguardada pelo setor há 17 anos: as negociações estavam paralisadas porque as autoridades sul-coreanas vinham concentrando suas verificações técnicas em outros produtos agrícolas considerados prioritários.
As exportações agropecuárias brasileiras para a Coreia do Sul somaram quase US$ 2,5 bilhões em 2025. O comércio bilateral total no mesmo ano ficou em US$ 10,8 bilhões, valor que parte das apurações arredonda para cerca de US$ 11 bilhões. Segundo Lula, o intercâmbio entre os dois países "ainda está abaixo do potencial das duas economias", e os governos constroem agora uma parceria "mais ambiciosa". A Coreia do Sul é o 19º maior investidor estrangeiro no Brasil.
Grupo de trabalho para o acordo com o Mercosul
Os dois governos também anunciaram a criação de um grupo de trabalho para avançar nas negociações comerciais entre o Mercosul e a Coreia do Sul, interrompidas desde 2019. A coordenação ficará com o vice-presidente Geraldo Alckmin. "Decidimos criar um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidades dos dois lados", disse Lula.
Lee Jae-Myung afirmou que "o acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora". O presidente sul-coreano citou ainda a cooperação em áreas como defesa, aeroespacial, minerais críticos e carne. O encontro ocorre enquanto o governo brasileiro busca ampliar mercados e atrair investimentos em meio às incertezas geradas pelo aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Minerais críticos e acordo entre agências
Brasil e Coreia do Sul fecharam acordo para expandir a cooperação em toda a cadeia de suprimentos de minerais críticos — insumos usados em baterias, semicondutores, veículos elétricos, equipamentos de energia limpa e tecnologias avançadas. "O Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos", declarou Lee Jae-Myung.
No mesmo dia, a Agência Nacional de Mineração (ANM) assinou um memorando de entendimento com a Korea Mine Rehabilitation and Mineral Resources Corporation (KOMIR). Pelo texto, as duas instituições vão trocar conhecimentos em regulação, gestão mineral, inovação, tecnologia e sustentabilidade, com seminários, estudos técnicos e a criação de um grupo de trabalho conjunto. Segundo a ANM, a parceria responde à demanda global por minerais essenciais à transição energética, combinando as indústrias avançadas sul-coreanas e as reservas brasileiras de terras raras.
"Esse instrumento inaugura uma nova fase da agência, que está se internacionalizando e buscando parcerias que podem ajudar a desenvolver a mineração brasileira", afirmou o diretor-geral da ANM, Mauro Sousa. Para o presidente da KOMIR, Youngsik Hwang, o memorando deve "promover o crescimento e estabelecer uma base para um relacionamento de longo prazo".
O encontro no Alvorada também produziu acordos e memorandos em defesa, educação, energia, intercâmbio educacional, cooperação espacial, pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial e intercâmbio desportivo, além de entendimentos em semicondutores, inteligência artificial, transição energética, saúde, fármacos, cosméticos e cultura.














