A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (29).

Os cinco produtos foram autorizados para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, em uso complementar a dieta e exercícios físicos. São eles: Owozy, registrado pela Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda; Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil Ltda; Zempneo, da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.; Semavy, da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A.; e Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica Ltda.

A semaglutida age como se fosse um hormônio produzido no intestino, o GLP-1. Ela melhora o funcionamento da insulina no organismo, o que leva a uma maior sensação de saciedade após as refeições.

Fila de pedidos cresceu após o fim da patente

A patente da semaglutida terminou em março deste ano — no caso do Ozempic, em 20 de março. Antes desta leva de aprovações, a Anvisa avaliava 16 pedidos de registro da substância: seis já em análise e dez aguardando avaliação.

Nesse intervalo, a agência aprovou no fim de maio o Ozivy, da EMS, primeira caneta brasileira de semaglutida sintética, com o princípio ativo na concentração de 1,34 mg/mL e administração semanal. O registro foi publicado em 26 de maio, pela Resolução RE 2.122/2026, e o produto chegou às farmácias em meados de junho, a R$ 497 por mês na dose de 1 mg. Em 10 de julho, o Ozivy passou a integrar a Lista de Medicamentos de Referência, tornando-se parâmetro de eficácia e segurança para genéricos e similares em desenvolvimento no país.

Segundo a Anvisa, a avaliação de análogos sintéticos da semaglutida é tratada como um desafio técnico para as agências reguladoras de todo o mundo. A agência explica que as versões sintéticas são feitas por síntese química, o que resulta em moléculas menores e mais estáveis, capazes de ser reproduzidas de forma idêntica — diferentemente das versões biológicas, derivadas de organismos vivos e mais difíceis de replicar.

Preço e acesso pelo SUS

A concorrência já se refletiu no preço: os preços informados para o Ozivy vão de R$ 452 a R$ 498, contra R$ 975 a R$ 999 do Ozempic. O acesso pela rede pública, porém, esbarrou no custo: em 2025, a Conitec rejeitou a incorporação da semaglutida ao SUS citando impacto orçamentário superior a R$ 8 bilhões; a fabricante Novo Nordisk chegou a propor um desconto de 59%, que reduziria a dose semanal de 2,4 mg a R$ 764,64 por mês.

O uso desses medicamentos é controlado. Desde junho de 2025, as farmácias precisam reter a receita médica dos agonistas de GLP-1, e no ano anterior a Anvisa havia proibido a prescrição de versões manipuladas da substância.