A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para o medicamento oncológico Datroway, cujo princípio ativo é o datopotamabe deruxtecana. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira, 27 de julho, por meio da Resolução 2.871/2026.
Pela nova autorização, o remédio passa a ser indicado para o tratamento de pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) localmente avançado ou metastático que apresentem mutação do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR). Conforme o texto da aprovação, a indicação vale para quem já recebeu previamente terapia direcionada ao EGFR e quimioterapia à base de platina.
O registro pertence à Daiichi Sankyo Brasil Farmacêutica. Segundo a Anvisa, o Datroway já tinha registro no país para o tratamento de câncer de mama irressecável ou metastático, com receptor hormonal positivo e HER2 negativo, em pacientes que já haviam passado por terapia endócrina e ao menos uma linha de quimioterapia.
Como o medicamento age
Na descrição técnica publicada pela agência, o Datroway é um produto biológico com ativo conjugado: o anticorpo monoclonal datopotamabe ligado ao agente citotóxico deruxtecana. O datopotamabe se liga ao TROP2, proteína presente em altos níveis na superfície das células tumorais, o que promove a internalização do conjunto. Em seguida, o deruxtecana é liberado e induz dano ao DNA e morte das células tumorais por apoptose.
O produto é um pó liofilizado para solução injetável, comercializado em frasco de 100 mg. Após a reconstituição com água para injetáveis, cada dose de 1 ml contém 20 mg de datopotamabe deruxtecana.
O peso do câncer de pulmão no Brasil
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 35.380 novos casos de câncer de pulmão no Brasil para cada ano do triênio 2026-2028 — 18.730 em homens e 16.650 em mulheres. O Atlas de Mortalidade por Câncer, com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade de 2024, registra 32.555 mortes pela doença, sendo 17.202 homens e 15.353 mulheres.
Entre os homens, traqueia, brônquio e pulmão formavam a terceira localização primária mais incidente no país em 2023, com 18.020 casos novos estimados, ou 7,5% do total — atrás apenas de próstata e de cólon e reto, segundo o INCA.
O instituto aponta o tabagismo como a principal causa do câncer de pulmão. Entre os outros fatores que aumentam o risco estão a exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, doença pulmonar obstrutiva crônica, fatores genéticos, histórico familiar e exposição ocupacional a determinadas substâncias. A maior parte dos casos afeta pessoas entre 50 e 70 anos.














