Os brasileiros gastaram US$ 12,6 bilhões em viagens internacionais no primeiro semestre de 2026, o maior valor já registrado para os seis primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do Banco Central, em 1995. Os números constam do relatório de estatísticas do setor externo divulgado pelo BC nesta terça-feira (28).

O resultado representa alta de 22,5% sobre os US$ 10,3 bilhões desembolsados no mesmo período de 2025 e supera o recorde anterior, de US$ 12,4 bilhões em 2014. Só em junho, as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 2,22 bilhões, crescimento de 19,6% em relação a junho do ano passado, quando ficaram em US$ 1,85 bilhão.

Dólar mais barato impulsiona as viagens

O salto nos gastos acompanha a trajetória de queda da moeda norte-americana ao longo de 2026. O dólar começou o ano cotado a R$ 5,49 e encerrou junho a R$ 5,16, recuo de 5,8% no semestre. Na segunda-feira (27), a moeda fechou a R$ 5,11, acumulando baixa de 6,87% no ano.

Com o real mais forte, ficaram menos custosas as passagens aéreas, a hospedagem, a alimentação e as compras pagas em moeda estrangeira, o que ampliou o poder de compra do turista brasileiro em destinos como Estados Unidos, Europa, Caribe e países da América do Sul. O crescimento das despesas é atribuído a dois fatores combinados: a desvalorização do dólar e a atividade econômica aquecida.

Entrada de estrangeiros cresce menos

Na mão inversa, os gastos de estrangeiros em viagens pelo Brasil somaram US$ 5,64 bilhões no semestre, alta de 11,7% na comparação anual — metade do ritmo registrado pelos brasileiros lá fora. Em junho, esse fluxo foi de US$ 800 milhões.

O descompasso ampliou o déficit da conta de viagens em 32,9%, que passou de US$ 5,25 bilhões para US$ 6,97 bilhões. O desequilíbrio, porém, foi mais do que compensado por outras rubricas das contas externas: ainda segundo o Banco Central, as exportações de bens somaram US$ 36,4 bilhões em junho, o maior valor da série histórica, com alta de 24,8% sobre junho de 2025, e o superávit comercial do mês chegou a US$ 8,8 bilhões, ante US$ 5,2 bilhões um ano antes.

Com isso, o déficit em transações correntes ficou em US$ 2,3 bilhões em junho, menos da metade do resultado negativo de US$ 5,2 bilhões de junho de 2025. No acumulado de 12 meses até junho, o saldo negativo em transações correntes somou US$ 61,4 bilhões, o equivalente a 2,46% do PIB, contra US$ 75,5 bilhões (3,52% do PIB) um ano antes. Os investimentos diretos no país tiveram ingressos líquidos de US$ 9,1 bilhões em junho, ante US$ 3,1 bilhões no mesmo mês de 2025.