O presidente argentino Javier Milei republicou, na noite deste sábado (8), uma publicação que chama o presidente Lula (PT) de "corrupto e criminoso que destruiu o Brasil". O repost, feito às 20h39, ocorre quatro dias depois de o Brasil rebaixar o nível da relação diplomática com a Argentina em resposta a ofensas anteriores de Milei.
"Corrupto e criminoso que destruiu o Brasil", escreveu o congressista americano Carlos Gimenez na publicação original, acusando-o ainda de "habilitar todas as ditaduras comunistas do hemisfério". Milei compartilhou o texto em sua conta pessoal.
Como a crise diplomática começou
A crise atual remonta a 26 de julho, quando Milei chamou Lula de "presidiário" durante uma convenção do Partido Liberal (PL) e atacou também o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil para transmitir repúdio e cobrar explicações.
Em nota emitida na ocasião, o Itamaraty classificou o episódio como "lamentável" e afirmou não haver "precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, comete agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive o Poder Judiciário, e ao povo brasileiro".
Diante da repetição dos ataques, o governo brasileiro anunciou em 5 de agosto o rebaixamento da relação diplomática. Pela decisão, o embaixador Julio Bitelli permanece em Brasília e não retorna a Buenos Aires.
Passa a responder pela representação brasileira na Argentina o ministro-conselheiro Eduardo Uziel, como encarregado de negócios, cargo mais baixo na hierarquia diplomática.
É a primeira vez que o Brasil rebaixa formalmente o nível de relação diplomática com a Argentina.
Do lado argentino, Milei diz agir "em defesa do povo brasileiro" e acusa Lula de ter "investido um bilhão de dólares" na campanha presidencial argentina de 2023.
Já o governo brasileiro associa a escalada dos ataques de Milei a uma "influência de Trump" sobre o presidente argentino.
Até quando a crise deve se estender
O Itamaraty condicionou a normalização da relação ao fim das ofensas de Milei, sem fixar prazo ou outro critério objetivo. Não há, até a publicação desta matéria, sinal de recuo por parte do presidente argentino.














