O presidente Lula afirmou neste sábado (8) que vai enviar a Donald Trump os números da queda do desmatamento na Amazônia, usados pelos Estados Unidos para justificar o tarifaço contra o Brasil. Dados do Inpe divulgados na sexta-feira (7) mostram queda de 36,87% no desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026, a menor taxa desde 2016.

Em encontro do MTST em Taboão da Serra (SP), Lula disse: "Fiz questão de tirar fotografia dos números porque, para os Estados Unidos, nesse novo tarifaço que fizeram para o Brasil, um dos motivos era que a gente não cuidava do desmatamento. Quero preparar os números e mandar para o meu amigo Trump. Pra ele saber que quem o informou não informou sobre a verdade".

Os dados fazem parte do sistema de monitoramento do próprio governo brasileiro.

Os números que o Inpe divulgou

O levantamento do Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real) apontou 2.874,38 km² de área sob alerta no ciclo 2025/2026 — volume 55,6% menor que a média dos últimos dez ciclos, de 2015/2016 a 2025/2026. No Cerrado, a redução no mesmo período foi de 7,8%, com 5.119,46 km² de área identificada. Os números foram apresentados em São José dos Campos (SP).

A disputa sobre quem está certo

O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, citou o desmatamento no Brasil como um dos motivos da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, classifica esse argumento como infundado: "o governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa". Para Astrini, o fato de outros países com desmatamento elevado não terem sofrido sanções parecidas enfraquece a justificativa americana.

O ponto em aberto

A pergunta que fica: esse dado técnico é capaz de mudar a tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, ou a queda no desmatamento vira só mais um capítulo de uma disputa comercial que, segundo os críticos do próprio argumento americano, nunca foi só sobre meio ambiente?