O Conselho de Segurança Nacional do Irã divulgou neste sábado (8) uma lista de seis exigências aos Estados Unidos como condição para reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde passava 20% do petróleo mundial antes do bloqueio. Entre elas estão o fim das sanções, a liberação de ativos congelados e compensação pelos danos da guerra.
A lista foi definida pelo próprio Conselho como uma "correção da conduta" dos Estados Unidos. O secretário do órgão, Mohamad Baqer Zolgadr, resumiu a posição do país: "Até que Estados Unidos não corrija seu comportamento, o Estreito de Ormuz não será aberto."
As seis exigências do Irã
O Irã pede que os Estados Unidos nunca mais o ameacem nem insultem seus valores, e que ponham fim permanente à guerra contra o país e seus aliados no Líbano, no Iêmen, no Iraque e na Palestina. As outras exigências são objetivas: levantar o bloqueio naval contra os portos iranianos, suspender as sanções econômicas e liberar os ativos do país congelados no exterior. O Irã também cobra compensação financeira pelos danos da guerra.
O estreito foi fechado por forças iranianas depois que os EUA violaram um memorando de entendimento assinado com o Irã em junho, o que levou à retomada do conflito. Desde então, o Irã libera só a rota costeira e estuda cobrar uma taxa de serviço de quem passar por ali.
Do lado americano, o vice-presidente J.D. Vance reconheceu que a negociação será difícil. "Vai ser complicado e vai levar tempo para conseguir", disse ele, ao comentar a divisão dentro do governo iraniano entre quem quer encerrar o conflito e o que chamou de "radicais loucos" que querem a guerra continuar.
O que isso significa para o Brasil
O Estreito de Ormuz é por onde passava cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural comercializado no mundo antes do bloqueio. Um fechamento prolongado da rota tende a pressionar o preço internacional do barril e, por consequência, o preço dos combustíveis no Brasil — sobretudo no Norte e no Nordeste, regiões mais dependentes de combustível importado. Da última vez em que o estreito fechou neste ciclo de guerra, em abril, o Brent chegou a US$ 111,26 o barril, sétima alta seguida no período.
É esse cenário de incerteza no fornecimento global que faz da resposta dos EUA às exigências iranianas um fator observado de perto pelo mercado de petróleo — e, por tabela, pelo bolso do consumidor brasileiro.
O ponto em aberto
A lista do Irã mistura exigências objetivas, como a liberação de ativos financeiros, com condições que dependem do fim de guerras em quatro países diferentes. O próprio vice-presidente americano J.D. Vance admitiu que a negociação "vai ser complicado e vai levar tempo" — enquanto isso, o estreito segue com só a rota costeira liberada, e o mercado de petróleo, atento ao risco.














