O Brasil rebaixou a relação diplomática com a Argentina depois que o presidente Javier Milei intensificou os ataques a Lula e ao STF nas últimas semanas, informou o Itamaraty. O embaixador brasileiro Julio Bitelli não deve voltar a Buenos Aires enquanto os insultos continuarem, e o país passa a ser representado por um Encarregado de Negócios, cargo diplomático mais baixo.

O que dizem os dois países

Em nota, o Itamaraty afirmou não haver "precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro". Já a chancelaria argentina classificou a decisão brasileira de "unilateral" e "puramente ideológica": "Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina sustenta hoje."

A decisão repercutiu na imprensa argentina: o jornal Clarín chamou a medida de "dura sanção diplomática", enquanto o Infobae descreveu uma "crise sem precedentes" entre os dois países, que preocupa o empresariado local. O Brasil é hoje o principal parceiro comercial da Argentina, destino de 12,6% das exportações de bens do país, à frente de China (9,9%) e Estados Unidos (9,8%), segundo o instituto de estatísticas argentino Indec. Em 2025, a Argentina foi o terceiro maior destino das exportações brasileiras, com US$ 18,1 bilhões em vendas.