A senadora argentina Patricia Bullrich, líder do bloco do presidente Javier Milei no Congresso, pediu nesta quinta-feira (6) que o Brasil devolva o embaixador Julio Bitelli a Buenos Aires. O apelo ocorre quatro dias depois de o governo brasileiro rebaixar a relação diplomática com a Argentina, em resposta a ataques de Milei a Lula e Alexandre de Moraes.

Bullrich discursou no Senado argentino e reconheceu que "o vocabulário sempre precisa ser cuidado", numa referência indireta ao tom das falas de Milei. Ainda assim, defendeu o direito do presidente de apoiar candidatos de outros países e cobrou a separação entre a política e as "relações institucionais estratégicas" entre os dois países.

Como começou a crise

A tensão eclodiu em 25 de julho, quando Milei participou em São Paulo do evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e "corrupto" e classificou o ministro do STF Alexandre de Moraes como "lixo careca", sem apresentar provas para as acusações.

Em resposta, o Brasil pediu, em 4 de agosto, que o embaixador argentino em Brasília, Guillermo Raimondi, deixasse o país, e recolheu Bitelli de Buenos Aires. As relações passaram a ser mantidas apenas no nível de encarregados de negócios — o grau mais baixo de representação diplomática abaixo de embaixador. O governo argentino classificou a medida como desproporcional, afirmando que "nunca respondeu a uma divergência política com uma medida institucional".

O que muda agora

Até a publicação desta reportagem, o governo brasileiro não havia se manifestado sobre o pedido de Bullrich. O Itamaraty não indicou prazo para uma eventual normalização das relações com a Argentina.