Dois dias depois do vendaval que atingiu o Rio de Janeiro, mais de 100 mil clientes ainda estavam sem energia elétrica na tarde de sexta-feira (31). Segundo a Agência Brasil, a Light contabilizava 80 mil imóveis sem fornecimento na tarde de sexta, e a Enel Rio, 25 mil às 15h.

O temporal chegou na tarde de quarta-feira (29), com ventos de mais de 100 km/h na capital e na região metropolitana. A maior rajada registrada foi de 105,5 km/h no Galeão, entre 16h e 17h, e chegou a deixar cerca de 1,9 milhão de imóveis sem energia no Rio de Janeiro, segundo balanço divulgado na noite do mesmo dia.

Duas pessoas morreram quando um muro desabou durante a ventania na Rua Doutor Júlio Otoni, em Santa Teresa, na região central. O Corpo de Bombeiros atendeu 185 ocorrências ligadas aos ventos no estado, entre elas 93 quedas de árvore, 31 operações de resgate e cinco desabamentos.

Governo cobra explicações da agência reguladora

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), enviou na quinta-feira (30) um ofício ao diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, pedindo que a agência apure a "continuidade da prestação do serviço", a "adoção de medidas excepcionais via planos de contingência", a "avaliação da mobilização de equipes para recompor as redes" e a "comunicação adequada com a sociedade sobre o atendimento".

Ao todo, mais de 1 milhão de unidades consumidoras foram afetadas somando Rio de Janeiro e São Paulo — os vendavais de 29 de julho atingiram os dois estados. Na capital fluminense, a Light registrou 1,57 milhão de clientes atingidos no dia do temporal; em São Paulo, a Enel SP chegou a 70 mil imóveis sem energia. A Aneel informou que acompanha as ocorrências pelo sistema Radar e que segue em contato com os agentes envolvidos "até a completa normalização do serviço".

Protestos e reconstrução da rede

A demora na religação levou moradores às ruas. Houve queima de lixo para bloquear vias na Taquara, um ônibus depredado em Sepetiba para fechar a passagem e barricadas incendiadas em Santa Teresa. Também foram afetadas cidades da Baixada Fluminense — como Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo e São João de Meriti — e da Costa Verde, caso de Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba.

A Light informou ter mobilizado "mais de 2 mil profissionais que trabalham ininterruptamente para a normalização da energia" e contabilizou cerca de 220 árvores caídas na capital, sem estipular prazo para concluir o atendimento. A Enel Rio afirmou que os atendimentos restantes exigem "a reconstrução de trechos inteiros da rede elétrica", com substituição de postes e transformadores, e estimava encerrar as ocorrências ainda na tarde de sexta. O Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio manteve o município em Estágio 2 na sexta-feira.